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Alunos de Valadares “sentiram” a violência no namoro

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Os alunos dizem que é na escola que o assunto deve ser abordado, concordo, mas os pais também precisam de estar atentos e proteger os seus filhos. Não deixa de ser curioso que os alunos apontem a escola como meio de educação de um conteúdo que sai claramente dos programas. A escola é, hoje em dia, a principal defensora de um modelo social e tem responsabilidades que vão muito além da aprendizagem pura e simples de conteúdos.

Os alunos de Valadares mergulharam no tema, colocaram-se do lado das vítimas, questionaram os colegas, “sentiram” o problema. É assim que sensibiliza os alunos, é assim que se combate um dos maiores flagelos da nossa sociedade.

Parabéns!

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“Não é uma coisa de que se fale regularmente, mas sabemos o que é e as consequências que tem”, explica Paulo Silva, 18 anos, que ficou no grupo de rapazes que elaborou o questionário distribuído por turmas do 7.º ao 12.º ano. Perguntaram aos colegas: acham normal um namorado dar uma bofetada à namorada? Pedir-lhe o telemóvel “para ver o que se passa”? E se for ao contrário? As conclusões: “A grande maioria dos jovens é contra a violência no namoro”, apesar de haver estudantes “menos conscientes” sobre as diferentes formas de violência.

E quando o agressor é o nosso melhor amigo, o que devemos fazer? As opiniões dividem-se – e os alunos tentaram mostrar os diferentes pontos de vista num debate em role playing, em que cada personagem representa as conclusões retiradas de cada fonte.

Assunto “deve ser tratado na escola”

Catarina Machado e outras quatro colegas ficaram com as entrevistas; falaram com um agente da polícia e com a representante de uma organização de apoio a vítimas de violência no namoro. Ouvidas as partes, concluíram que o assunto “deve ser tratado na escola, desde pequenos, para interiorizarmos melhor estes temas”. “Muitas vezes nós não vemos as coisas como sendo aquilo que são, e acho que deveríamos ter mais noção das coisas”. Por exemplo? Estar alerta quando alguém numa relação tenta controlar a roupa ou os contactos da outra pessoa. As fontes ouvidas pelas estudantes afirmaram ainda que “os professores deviam ser alertados para este problema”, para estarem prontos para intervir.

O grupo da colega Jéssica Santos, 18 anos, tentou perceber como é que vítimas, agressores e colegas reagem à violência. O método: a fotografia. “Na nossa fotografia, tentamos pôr-nos no corpo da pessoa, sentir o que ela sente. Através disso, encontrar algo que transmita o que a pessoa numa relação dessas está a sentir e tentar fazer com que, ao verem a nossa imagem, as pessoas pensem. Talvez até ganhem uma ideia nova sobre o que é este tema”. O resultado: uma “árvore cronológica” de uma relação violenta, que cresce desde a raiz até dividir-se entre “a decisão de tentar libertar-se dessa relação” e um lado mau, de sofrimento e solidão. Para Jéssica, é preciso “incentivar as pessoas a ajudarem-se umas às outras”. “Muitas vezes vemos as coisas mas não nos queremos meter nos problemas dos outros.”

E o que estará na raiz desta violência? Para o grupo que explorou o tema através do teatro, a resposta está nas “diferentes intenções que levam as pessoas a estarem juntas e o lugar que cada um ocupa na sociedade”, lê-se num dos posters elaborados pelos alunos para apresentar os seus resultados. Mas se, por um lado, “o homem tem alguns privilégios” numa relação e “maior liberdade sexual” do que a mulher, tem também “uma pressão social para se comportar de maneiras pré-determinadas: deve ser forte, protector, determinado, activo”.

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Para Anabela Amaral, presidente do conselho geral desta escola, “o que é importante é ver o processo de decisão, a implicação e a intervenção” dos alunos. E este tipo de abordagem faz com que os jovens aprendam melhor como agir? O que nos dizem eles? “Metiam-nos em papéis para naquele momento sentirmos o que uma vítima e um agressor sentiam, e estudámos várias atitudes que ambos podiam ter. Se uma pessoa já se tiver sentido naquela posição, se calhar já sabia como agir mais tarde quando o assunto fosse a sério”, diz-nos Diogo.

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Fonte: Público

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