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Alunos De Excelência: Cada Um À Sua Maneira

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Após o início do ano letivo algo do que passou fica ainda por finalizar: premiar os alunos de excelência através da entrega de diplomas de Mérito pelo nível de classificação que atingiram no ano letivo transato. Este é um ritual que se inicia ainda nos primeiros anos de escolaridade, entenda-se primeiro ciclo e que se prolonga até ao fim do ensino secundário.

Será esta uma forma de conseguir cativar mais para o estudo quando ainda são tão jovens ou será apenas uma maneira de criar um inconsciente de “não sou bom o suficiente” e com isso reduzir o nível de autoestima?

As duas hipóteses são plausíveis: se por um lado se estimula à necessidade de estudar para pertencer a um quadro de excelência, a falha num caso destes desequilibra os pratos da balança criando um ciclo de negatividade. Se o aluno consegue integrar este quadro de excelência esperará no próximo ano letivo atingir o mesmo patamar. Se atinge, estimula a que trabalhe mais para conseguir melhor. Mas se o que conseguiu anteriormente foi apenas pela facilidade de matéria dos primeiros anos ou pela sobrevalorização das notas, no ano seguinte pode falhar e não atingir o mesmo nível.

Quando o aluno tem baixa autoestima, concretiza mentalmente que não consegue e, se não consegue mesmo então, isso funcionará como reforço para que a sua redução continue.

Com a entrega dos prémios de alunos de excelência, a competitividade também é estimulada. Mas até que ponto é saudável competir pelas notas nos primeiros anos de escolaridade? Talvez pudéssemos incluir aqui outros Méritos que cada criança integra e trabalhar a sua parte humana.

O que é facto é que todos têm um Mérito, pelo menos, pelo que premiar apenas pelas notas em fases tão jovens pode ser um estímulo, também, para a desunião entre os alunos pela competição que gera e a frustração agregada quando não conseguem pertencer ao grupo dos melhores. Estas fases iniciais da vida são cruciais para deixar marcas profundas, podendo contribuir para a forma como decorrem eventos futuros no percurso de cada um.

Ao longo da nossa vida vamos sendo certificados por várias entidades. Propomo-nos a realizar uma formação, um curso, a escolaridade e no final Todos recebemos um certificado com a classificação atingida. Claro, faz parte do currículo. Então porque é que não se entregam diplomas a Todas as crianças no final do ano letivo, se este foi concluído? Não chegaram todos ao fim? Ao longo de um ano letivo muito acontece na vida de cada criança, sim porque para além da escola, têm família, amigos, atividades extracurriculares, brincam (ou pelo menos deveriam brincar… sobretudo brincar). E podem ocorrer acontecimentos de vida que perturbem o decurso natural das coisas: o nascimento de um irmão, a separação dos pais, a morte de um familiar, uma doença, um acidente. Com isto a criança influencia o seu desempenho escolar, não só de aprendizagem, mas também comportamental. As notas podem baixar e lá se foi o aluno de excelência. No entanto, o aluno é o mesmo, as circunstâncias é que mudaram. Mas mesmo assim, no meio das dificuldades, o aluno concluiu o ano letivo. Merece ou não um diploma de Mérito? Pelo meio do estudo, o aluno até teve que lidar com os acontecimentos de vida e chegou ao fim do ano letivo. Que Mérito o deste aluno! Mas não há diploma…

O mesmo se passa com os alunos com as chamadas dificuldades de aprendizagem. Estas crianças não atingem níveis que lhes permitam ser premiados “pelo seu Mérito”, mas à sua maneira também o têm, porque se esforçam e dentro das suas dificuldades de aprendizagem conseguem concluir o ano letivo. Estes alunos também deveriam estar na berlinda e ser aplaudidos pelos professores e familiares no momento da entrega do seu diploma de Mérito. Imaginam o reforço positivo que teria uma situação destas? Só ajudaria a aumentar a autoestima, estimular ao esforço, ao estudo e sobretudo a unir os alunos demonstrando que dentro daquilo que cada um é, e à sua maneira, conseguem ser brilhantes.

Mas aqui teríamos um desafio enorme, pois para uma cerimónia de entrega de diplomas de mérito se realizar teriam que alugar um estádio, já que seria para todos os alunos e ainda mais, para todos os familiares que acompanharam a criança ao longo do ano letivo e fizeram parte da história. Mas como o espaço é pouco, quando se realiza a cerimónia, nalguns locais é entregue apenas um convite à criança para um familiar assistir. Isto é como perguntar: gostas mais do papá ou da mamã? Mais vale não ir receber o diploma já que a decisão é demasiado pesada para a criança.

A chegada ao final do ano letivo é feita com o Mérito de Todos, incluindo dos professores, dos auxiliares de ação educativa, das famílias e alunos, pelo que escolher pela classificação escolar, nos primeiros anos quem é o melhor deixa muito a desejar. Algo para modificar. Finalizar o ano letivo com entrega de diplomas de Mérito, sem cerimónia, em sala de aula, e a Todos os alunos, pois todos são Alunos de Excelência: cada um à sua maneira.

Vera Silva

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