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Alunos Com Mais Desporto Na Escola

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Não se trata de reforçar as horas da disciplina de Educação Física, trata-se de reforçar o desporto escolar. Estes 4 anos mostram uma clara inversão da política desportiva em meio escolar.

Há quem sinta os cotovelos inflamados e uma certa azia por ver este reforço na disciplina vizinha e não na sua. Porém, não se trata de medir a importância das ditas, mas sim de dar resposta a um flagelo nacional que é a obesidade infantil e os custos que ela trará para a nossa sociedade a curto e médio prazo. Nem que seja para ensinar a andar de bicicleta e incentivar o uso da mesma, o que parece ser supérfluo, pode mudar ou até salvar a vida de uma pessoa.

Toda e qualquer potência mundial utiliza o desporto como alavancagem social, educativa e económica. Os resultados escolares dos alunos são potenciados com a presença do desporto nas suas vidas, isto não é blá, blá, blá, são factos e basta irem ao google e vão encontrar vários artigos e estudos sobre o assunto.

Evidentemente que sou suspeito ao abordar o assunto pois é a minha área de formação, mas talvez por isso, por estar tão consciente da realidade é que subscrevo esta política desportiva deste Ministério da Educação, mesmo que seja tão crítico noutras áreas educativas.

Fica a notícia.


No passado ano letivo, a grande maioria das escolas tinha projetos de Desporto Escolar: Dos 812 agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, apenas 14 não tinham apresentado projetos, segundo dados avançados à Lusa pelo Ministério da Educação (ME).

O aumento de horas para os alunos praticarem desporto foi publicado hoje em Diário da República e vai permitir reforçar os Centros de Formação Desportiva (CFD), “promovendo, desde logo, a abertura de centros náuticos no interior do país”, refere o ME.

O Desporto Escolar conta, atualmente, com 71 CFD repartidos por sete modalidades. Entre as modalidades náuticas, encontram-se 34 centros de formação de canoagem, 20 de vela, 16 de surf e 12 de remo. Há ainda sete centros de formação de atletismo, seis de golfe e dois de natação.

O despacho hoje publicado vai permitir ainda criar novos grupos-equipa em modalidades mistas, como o Corfebol, um desporto que junta na mesma equipa rapazes e raparigas.

Os novos créditos horários – que permitem às escolas contratar professores ou alargar os horários dos que já lá trabalham – podem ser aplicados no projeto-piloto “DE sobre Rodas”.

Este novo projeto pretende ensinar as crianças a andar de bicicleta para que passem a usá-las como meio de transporte e vai começar a ser experimentado nos municípios “amigos” da bicicleta que tenham, por exemplo, pistas cicláveis.

O Plano Nacional de Formação de Alunos Juízes/Árbitros Escolares, iniciado no passado ano letivo, é outro dos programas que pode beneficiar do aumento de créditos horários.

O Desporto Escolar fomenta a prática desportiva e a competição, promovendo estilos de vida saudáveis.

O desporto é essencial no combate ao excesso de peso e obesidade, que ainda atinge quase um terço das crianças portuguesas (29,6%), segundo dados do Sistema de Vigilância Nutricional Infantil do Ministério da Saúde (COSI), divulgados este ano.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os jovens façam uma hora de atividade física moderada a vigorosa por dia.

Além da prevenção de doenças e da promoção de um estilo de vida saudável, o Programa do Desporto Escolar (PDE) permite também descobrir alunos com elevado potencial desportivo.

O PDE é composto por três tipos de projetos: complementares, de competição e de valorização.

Num primeiro nível, que permite criar projetos complementares à disciplina de Educação Física, participaram no ano letivo 2017/18 mais de 76 mil alunos dos 2.º/3.º ciclos do básico e secundário.

No segundo nível, de competição, os alunos têm treinos e competições regulares numa das 36 modalidades desportivas do desporto escolar: “Em 2017/18 havia sete mil grupos-equipa, num total que ultrapassava os 169 mil participantes”, segundo dados avançados à Lusa pelo ME.

O nível III é dirigido aos grupos-equipas de elevado potencial desportivo ou que estejam inscritos em federações desportivas, segundo o diploma hoje publicado em Diário da República.

Fonte: Sapo

11 COMMENTS

    • Nunca assistiu a um aluno ser “puxado” para o Desporto Escolar, pois não? A melhor forma de combater a obesidade e o sedentarismo não é pela obrigatoriedade. É assim com os miúdos é assim com os graúdos…
      Não falo por falar, falo porque já trabalhei alguns anos num ginásio.

  1. O que verifico na minha escola é uma corrida dos profs de EF às horas do DE para terem menos horas letivas e, logo, menos turmas. A escola agradece porque recebe dinheirinhos. Os alunos são cativados para as inscrições no início do ano letivo para garantir o arranque da coisa e a meio do ano já desistiram todos, mas isso não é divulgado. A estatística é linda, as avaliações dos grupos equipas são sempre muito boas e os profs ficam sem alunos, logo sem trabalho. Os outros colegas das filosofias, das histórias e das línguas estrangeiras são os mouros da carga com 6, 7, 8 ou 9 turmas e com testes e exanes nacionais para corrigir. É só ver o bronzeado dos profs de EF no mês de junho….
    Preocupados com a obesidade das criancinhas? A sério? Essa só pega junto dos mais distraídos.
    Haja santa paciência.

    • O que verifico na minha escola são professores a darem treinos fora do horário escolar, incluindo pausas letivas. O que vejo na minha são professores a abdicaram de fins de semana para que os alunos possam competir, dormindo em salas de aula que obviamente carecem de melhores condições para a estadia. Existem milhares de professores dedicados. E a sua disciplina não terá telhados de vidro…???
      Sobre o bronzeado, já experimentou dar aulas no exterior 1 ano inteiro? Olhe que eu já e o protetor solar é uma necessidade, não um capricho.
      Eu bem digo que anda muita azia por aí.

      • Alexandre,
        Desculpe pela demora, mas só agora tive acesso a internet. Sim, porque, de facto, temos um país a várias velocidades.
        Folgo em saber que usa muito protetor solar para dar aulas ao ar livre. Quando há chuva, não há aulas?
        Olhe que não é azia, não. É um total desencanto por ver este estado de coisas. Por ver tantas desigualdades e injustiças nas escolas e os colegas assobiarem para o lado, como Pilatos. A Alemanha de Hitler só foi possível por este tipo de comportamento. Mas os homens têm memória curta.
        Para mim há uma premissa base: é totalmente intolerável e imoral havet colegas com 9 turmas e outros com 2. Podem inventar as desculpas que quiserem ( idade, redução, desporto escolar, alto rendimento, assessorias, disciplinas de exame e outros bla, blas). Ter 50 alunos para ensinar e avaliar ou 250 não tem comparação possível. Os profs que têm menos turmas deveriam ter a hombridade de o reconhecer, mas não. Bem pelo contrário,fingem que não veem ou ainda se gabam. Vendo bem, não acha isto suficiente para ter vómitos, quanto mais azia?

        • Sou o primeiro a reconhecer que ter 300 alunos não é a mesma coisa que ter 80. Mas para evitar isso, todas as disciplinas teriam que ter a mesma carga letiva, se concorda com isso, o seu raciocínio faz todo o sentido.

          Sobre a chuva, não sei o que lhe diga, apenas a constatação das dificuldades que a disciplina tem e a desigualdade nas condições perante outras disciplinas. Nem imagina a perturbação que é ter uma unidade didátiva preparada e ter de abdicar de 2,4,6 horas, em virtude do mau tempo, substituindo-as por aulas teóricas.

          Cumprimentos.

  2. De acordo!
    As matrizes têm de ser revistas. 13 disciplinas no 3o ciclo não lembra ao diabo! É perfeitamente estúpido. E depois reclama-se que as mochilas são pesadas!
    Tem de haver equilíbrio na distribuição do número de alunos por professor. Não podemos continuar com esta disparidade. Não há estratégia ou pedagogia que resista a ensinar ( o quê?) e avaliar ( o quê?) 300 alunos por período, com um ou dois encontros semanais de 45 mins em turmas de 30 ou mais alunos. Brincámos? Sim. Estamos a enganar os alunos e as famílias porque assim ninguém consegue trabalhar em condições.
    Abraço.

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