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“Alunos a partir do 9º ano deveriam avaliar os professores.” Havia de ser bonito…

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Não, não e não!!!

Esta ideia peregrina surge de vez em quando como o barro que é atirado à parede.  Agora é um manifesto que será apresentado com o intuito de melhorar a democracia das escolas, reduzindo o poder dos diretores. Quanto a isso nada contra…

Mas para se ter mais democracia nas escolas e reduzir o poder dos diretores – aqui julgo que o verdadeiro problema está no método da sua eleição – não é preciso colocar alunos a avaliar professores.

Estes não estão aptos a avaliar professores, ponto!

É como colocar os filhos a avaliar os pais, os funcionários a avaliar os patrões, os pais a avaliarem professores, o dia ser a noite e a noite ser o dia, é algo contra natura, ilógico, absurdo, estúpido até…

Os alunos não estão preparados pois não têm o mínimo de conhecimentos pedagógicos, estão em pleno processo de desenvolvimento social e emocional, sofrem de um egocentrismo típico da adolescência e muitas vezes são incapazes de ter um juízo imparcial. Desculpem-me a imagem pouco simpática dos alunos, mas 15 anos de docência levam-me a muito ceticismo.

No dia que os alunos avaliarem os professores, estes serão levados pelo “porreirismo” e não pela sua competência profissional. Além disso, teríamos alunos a avaliar aqueles que os avaliam… ora agora avalias tu, ora agora avalio eu… era a loucura avaliativa…

Uma avaliação para ser credível deve ter como pressuposto o reconhecimento do avaliador, mesmo que seja uma avaliação superficial… Reparem o problema que deu a avaliação dos professores.

Sim, os alunos devem ter uma voz mais presente nas escolas, sim, estes são muitas vezes desprezados nas suas opiniões, sim, estes devem ter uma palavra a dizer na orientação da aula e seus processos de funcionamento, sim, estes devem colaborar na elaboração de regulamentos internos e as associações de estudantes devem aprofundar a sua influência nos seus pares, bem como na colaboração com as suas direções. Agora chegar ao ponto de um aluno avaliar um professor, mesmo que de forma qualitativa, é querer inverter toda a democracia existente na hierarquia natural das coisas. Sempre foi assim e sempre será assim…

Se temos um sistema de avaliação de professores que é incompetente, que não serve para nada e pertence ao mundo do faz de conta, então não o vamos substituir por algo que só vai servir para criar atritos entre os intervenientes.

Todos sabemos quais são os professores competentes e incompetentes, formalizar a coisa é que se afigura complicado, mas deixem isto para os adultos e os alunos que estudem que é para isso que estão na escola…

É que não tarda nada, passamos dos tempos em que os professores davam reguadas aos alunos para os tempos em que os professores levam reguadas dos alunos…

Haja bom senso!

Propostas para construir democracia nas escolas

(Público)

A escritora Inês Pedrosa considera que, a partir do 9.º ano de escolaridade, os alunos deveriam poder avaliar os professores. “Um dos problemas é que a escola é muito hierárquica. Os professores avaliam os alunos, mas estes não têm possibilidade de se expressar sobre a qualidade do ensino. Essa avaliação favoreceria a qualidade do ensino e conduziria a uma maior responsabilização dos próprios alunos que não se sentiriam apenas sujeitos a uma autoridade, mas participantes de uma comunidade”, preconiza, para defender ainda que “os directores deveriam ser não únicos, mas parte do conselho directivo eleito pela escola, ou seja, pelos docentes e pelas associações de estudantes”.

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