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Alterar O ECD Deve Começar Pelo Modelo De Gestão

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As férias ainda não chegaram mas já faltou mais. Mas sei que dificilmente consigo desligar completamente a minha característica intrínseca de professora. Acompanho o que se vai escrevendo sobre a nossa carreira pelos vários intervenientes que considero mais-valias e entendidos no que aos professores diz respeito e como tal merecem o meu respeito e atenção. Claro que cada um de nós pode e deve dar uma opinião. Quem melhor para o fazer? Sei que como professora apenas posso contribuir com a humilde opinião de trinta anos de experiência na docência, acresce o facto de ter sido professora no particular, na década de 80 e depois no público sempre. Claro que, inerente ao exercício da profissão, estão os cargos de Direcção de Turma, de Coordenação de Grupo… Direcção nunca, nem pretendo. Gosto muito de ensinar. Sendo assim resolvi dar o meu contributo. Começo por dizer e ao encontro do que escreveu o Paulo Guinote, que é nos alicerces sim, que tudo deve iniciar. Neste momento é a gestão da escola o alicerce maior que tem de ser a prioridade. Uma gestão democrática em que de entre os professores sejam eleitos aqueles que ficarão nos comandos de uma escola é uma urgência. Tenho assistido a situações de ditadura pura e indescritível com atropelos à lei, desrespeito e perseguição que nunca imaginei ser possível. Como não sou de fugir dos problemas, tenho sentido na pele e com prejuízo profissional, o não saber ‘comer e calar’ ou ‘ficar bem na fotografia’. Por isto afirmo com convicção ser aqui que deve começar qualquer alteração no Estatuto. Só a partir da mudança deste paradigma poderemos acreditar numa alteração real do Estatuto da Carreira. Se assim não for continuaremos a remendar uma câmara-de-ar que já está completamente remendada e, um destes dias vai rebentar-nos na cara.

RC

Professora

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5 COMENTÁRIOS

  1. Um modelo assim parte do pressuposto que a escola é dos professores.
    Não é e cada vez será menos.
    A escola é da sua comunidade, dos que serve e dos que lá trabalham.
    Nesta conformidade, a adotar-se um sistema baseado em eleições, todos deverão votar; professores, naturalmente, mas também funcionários, alunos e pais.
    Até já foi assim, embora por pouco tempo.
    A redução do colégio eleitoral ao restrito corpo de professores seria muito pouco democrática.

  2. Mas, agora, já não votam professores, funcionários, pais, alunos (do secundário), representantes das autarquias e elementos da comunidade local?

    Afinal, cambada de puristas “democráticos”, querem que vote quem mais.
    Informem-se!
    Expliquem-se! Mas, com juízo.

    • Os membros da comunidade educativa merecem ter uma palavra a dizer, até pq queremos que façam parte da escola. Certo?
      Mas compreendo que se todos os alunos e pais votarem, os docentes e n docentes pouco vão afetar a votação em causa. Sou por isso apologista do voto pelos representantes de alunos e encarregados de educação e todos docentes e não docentes.

  3. Tal como a colega também sinto na pele todos os dias ” com prejuízo profissional, o não saber ‘comer e calar’ ou ‘ficar bem na fotografia”. É lamentável que em pleno século XXI com uma democracia já bastante adulta se continue a assistir a situações de verdadeira perseguição, humilhação para com todos os que trabalham e trabalham bem e muito. O lema continua a ser o do tempo e Salazar: “Se não estás comigo, estás contra mim”. É urgente voltar a dar a palavra a TODA a comunidade escolar para decidir quem ver na Direção das suas escolas. Enquanto isso não acontecer, na maioria das escolas irá vigorar a prepotência, a ditadura e, por consequência, a perseguição a humilhação, a submissão e a adulação.

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