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Ainda os exames … outra perspetiva!

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Todos diferentes, todos iguais mas perante os mesmos conteúdos programáticos, várias são as abordagens e explorações possíveis, o grau de exigência e a relevância dada a certos conteúdos nem sempre é semelhante, cada professor procura selecionar um método eficaz e o que melhor se adequa aos seus alunos, tendo em conta as suas Exams-Juan-V-Lopezdificuldades, o contexto escolar, socioeconómico, etc.. Os exames nacionais, no ensino básico, devem ter como objetivo averiguar/aferir se, apesar de todas as “diferenças”, o essencial foi apreendido, se o aluno compreendeu e sabe aplicar um conjunto de conhecimentos considerados essenciais e importantes, e não a elaboração de rankings, avaliar escolas e professores, comparando o incomparável, de forma descontextualizada. É óbvio que os exames não avaliam tudo, nem é esse o seu objetivo, existem muitas outras vertentes importantes que não podem, nem devem, ser avaliadas através de um exame. No entanto, é extremamente importante avaliar a eficácia das medidas vigentes, em busca de um sistema melhor e mais eficaz, e verificar se os alunos sabem pensar e aplicar conhecimentos fundamentais e basilares, sem os quais futuras aprendizagens poderão ficar seriamente comprometidas.

Ninguém quer fazer má figura e, neste contexto, professores, alunos e pais trabalham afincadamente, remando no mesmo sentido, acertando o passo, num papel que por vezes peca pelo excesso de zelo ou má gestão, por parte de todos os intervenientes, gerando receios e preocupações tais como: a pressão e os nervos a que as crianças estão sujeitas, as escolas transformam-se em “fábricas, centros de treino” de preparação para exames, não havendo tempo para a realização e exploração de outro tipo de atividade mais criativas, apelativas e diferentes com os alunos.

Saber gerir e lidar com os próprios medos, fragilidades faz parte do crescimento e as crianças estão habituadas a fazê-lo desde pequenas em variados contextos; o nervosismo e a apreensão dos mais pequenos, em relação aos exames não é, regra geral, intrínseca, mas provocada, frequentemente, pela ansiedade e, por vezes, uma pressão e exigência exageradas, em busca de bons resultados, por parte de professores e pais… talvez por sentirem que esta é também uma avaliação do seu trabalho e o seu, não das crianças, medo de falhar. As crianças aprendem a gerir e lidam bem com a pressão dos exames, se professores e pais lhes transmitirem tranquilidade e segurança no trabalho desenvolvido e os encararem, eles próprios, apenas como mais um momento de avaliação como tantos outros que foram sujeitos ao longo do ano. Com um peso de 30% atribuído aos exames, em termos práticos, pouca repercussão têm na avaliação final dos alunos, apenas alterando o nível atribuído pelo professor se houver uma discrepância superior ou igual a 2, numa escala de 1 a 5, entre a nota de exame e a nota atribuída pelo professor.

Os exercícios de exame são, normalmente, itens bem construídos, interessantes, com uma abordagem, por vezes, diferente do habitual, que apela ao raciocínio e à interligação de conhecimentos, merecem ser devidamente explorados e utilizados como qualquer outro exercícios do manual ou de uma ficha de trabalho, encarados como um elemento válido de trabalho e de consolidação da matéria que está a ser lecionada, não como um exercício de treino ou de apresentação do bicho papão. As aprendizagens significativas, nem sempre os resultados, são fruto de muito trabalho/treino, mas não o tipo de treino mecânico que muitos associam aos exames ou pelo menos não na forma que se referem a este. É um trabalho contínuo, não se realiza a partir do 2º ano, só no 3º período, nem na forma de treino cego, intensivo e obstinado contra o bicho papão na reta final; mas revela-se sim numa forma de estar, ser e trabalhar, com exigência, desde o 1º dia de aulas, independentemente do ano de escolaridade, tendo como base uma visão global de ciclo e dos conhecimentos fundamentais inerentes. O tempo escasseia para a realização de atividades diferentes, criativas e mais apelativas, em grande parte, porque os programas são extensos e por vezes pouco adequados, para o qual também não contribui a calendarização estapafúrdia de realização de exames em meados, e não no final, do 3º período.

“Ontem, não me apetecia nada ir ao treino de natação! Mas as medalhas ganham-se nos treinos, vamos só buscá-las às competições!” sábias palavras proferidas por um aluna de 15 anos.

Quem esteve nos “treinos” de corpo e alma, treinador e atleta, encara a competição, com calma e segurança, como mais um passo/fase, sabe que nem sempre se ganha um lugar no pódio, a vida é mesmo assim, mas há uma medalha que é e será sempre sua: o conhecimento, a sabedoria e o esforço – são duradoiros e o que realmente importa … ou deveria!

Muitos (pais, professores e alunos), centram-se apenas nas avaliações/competições e desvalorizam/esquecem todo o processo/”treino” realizado. A pergunta que os alunos colocam sempre que lhes é proposta alguma atividade é bastante reveladora desta realidade: ”Isto conta para a avaliação?”. Na aprendizagem, como na matemática, na ciência ou na vida, a elegância, a beleza, a magia, a essência e o encanto, estão no processo, na viagem, e não no resultado ou nas selfies.

Uma sugestão de leitura: “Os exames fazem bem às crianças” artigo de Eduardo Sá

Votos de um Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

Pi

Fonte: imagem

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