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Ainda o tema dos rankings: um contributo.

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Saíram no fim de semana passado os rankings das escolas referentes ao ano de 2018/19. E sobre eles concluo o seguinte:

* As escolas privadas lideram;

* As escolas privadas recebem maioritariamente os alunos com capital cultural, o que não acontece nas escolas públicas, que recebem todos os alunos, apesar de algumas também terem estratégias para selecionar alunos, principalmente nas grandes cidades. Contudo, não há divulgação dos dados sociológicos das famílias, instrumento decisivo para se compreender qual o capital cultural das famílias dos alunos e seu impacto nas classificações;

* As escolas privadas também têm discrepâncias entre as notas internas e os exames, como acontece nas escolas públicas e esta discrepância traduz o peso de outros critérios na avaliação, incluindo estratégias para amortecer os resultados menos bons nos exames;

*Um ranking mais recente que mede a evolução do aluno, realçando os alunos com percursos diretos, isto é, alunos sem retenções, vem destacar o esforço das escolas na melhoria do ensino / aprendizagem, na medida em que mede o acompanhamento dos alunos pela escola ao longo de um ciclo. Este parâmetro traduz um apoio individualizado extra para alguns casos e a evolução dos alunos face aos resultados no ciclo anterior e verifica se o aluno manteve, progrediu ou regrediu. A canalização de recursos humanos para atividades de apoio educativas eficazes é aqui medida e neste ranking contatamos que há escolas do interior a obter bons resultados e escolas que melhoraram o seu ranking da ordem dos 400 para os 170. Contudo, este ranking continua a não ser valorizado pelos órgãos de comunicação social.

O blog Dear Lindo tem uma evolução das médias das diversas disciplinas em exames, em Evolução das médias dos exames nacionais (2008 / 2019), publicada no dia 27 de junho, https://youtu.be/Cv4RRCwO00k, que deveria preocupar mais os senhores jornalistas, com grandes oscilações de médias em algumas disciplinas. O que explica estas grandes oscilações? Sabemos que em educação há muitas variáveis a considerar, os alunos, os professores, as famílias, a organização educativa e a política educativa. Esta oscilação, na minha opinião, parece ter a ver com o modo como são feitos os exames, ou seja, com a conceção dos exames, que traduzem mais as opções do IAVE e da política educativa, do que as outras variáveis.

Concluindo, não sou contra qualquer indicador estatístico, mas todos eles devem ser contextualizados e a análise dos rankings em particular, porque são a ponta do iceberg no que diz respeito à reprodução social e pouco nos diz do esforço feito na escola no âmbito do ensino / aprendizagem. Este último já tem dados estatísticos, os percursos diretos, que continuam a ser pouco divulgados na opinião pública. Por fim, na minha opinião a forma como se elaboram os exames tem impacto nos resultados, como a grande oscilação de médias nos exames por disciplina parece-nos indicar.

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