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Ainda há gente simpática, neste tempo antipático.

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smileNo último sábado de Julho deste Verão arrependido de 2015, à tarde, m/ mulher e eu fomos a um Centro Comercial no Porto, na zona oriental onde muito raramente vamos, dado o n/ filho estar uns dias de férias e nos ter pedido para lá ir buscar uns artigos de que necessita para o dia-a-dia, e saber que estavam com um grande desconto, nesse período.

Assim o fizemos, e deixámos o automóvel no parque de estacionamento, gratuito, com poucos lugares vagos, e cada um pensou que o outro tivesse tomado nota do lugar em que o havíamos estacionado, pelas colunas mais próximas, letra/ número.

Feito o que lá íamos fazer, aproveitámos para por lá dar uma volta, e quando chegámos ao parque de estacionamento apercebemo-nos que não fazíamos a mínima ideia onde estaria o automóvel, e dado não ser uso ali irmos, e não tendo tomado nota do local exacto, teríamos que ir” à procurar”, e dado não termos pressas assim o fizemos.

Cada um foi para seu lado, e reencontrámo-nos sem descobrir o automóvel.

 Isto, nada terá a ver com sermos sexagenários, dado que bastante jovem por vezes por assuntos de trabalho, ia ao centro do Porto, deixava o automóvel num parque no central –  e aí com a pressa- nas primeiras vezes nem tomava “tino” , sequer do piso, e depois tinha que andar, rapidamente,  à procura. Era um parque pequeno, claro que a partir de certa altura passei a ter muito mais cuidado.

Bem, nova procura e entretanto m/ mulher encontrou ou foi apercebida em “busca do automóvel”, por um casal pelos 50 anos, com filho, namorada e outra rapariga, que se prontificou a ajudar, e estando já juntos agradecemos muito, sempre na dúvida se o iriam fazer e porquê.

Nada teríamos a perder, com tanta gente no parque a entrar a sair, e ninguém sequer a pensar em ajudar, a não haver ninguém que fizesse parte do staff do local e o fizesse, como em outro que mais frequentamos existe, apesar do nosso espanto neste época tão incivilizada, ficámos ali a aguardar.

 Entraram os cinco no seu automóvel, e foram dar uma volta pelo parque, dado nos a pé já os termos feito, ainda, sem sucesso. Passaram por nós no meio de bastante movimento, e disseram ainda não ter visto, e que iram procurar no piso inferior, tinham a marca e as letras da matricula.

Dentro do descrédito que hoje se tem nestas “acções” até pelo exacerbado individualismo de todos e cada um, esperámos, nada tínhamos a perder, pelo contrário, e se não aparecessem ou não o encontrassem, tomaríamos as nossas providências.

Voltaram a passar por nós – quando achávamos já haverem desistido, mas não queríamos sair dali, para no caso de continuarem, não sermos mal-agradecidos – e disseram que iriam ainda procurar.

Passados uns minutos e quando estava a dizer à m/ mulher que tínhamos que ir dar outra volta mas de formas mais organizada, apareceram e disseram-nos onde estava o automóvel. Bem, estava no melhor local, mesmo junto ao acesso para o Cento Comercial e aos acessos de entrada e saída do parque de estacionamento, no local que nem nos lembráramos de procurar, por ser demasiado óbvio.

Agrademos muito, e várias vezes, e foram-se à vida e nós também.

De facto ficámos boquiabertos, neste tempo em que todos nos “atropelamos” mesmo sem pressa para chegar primeiro. Em que não respeitamos nada nem ninguém, que não temos o mínimo cuidado em deixar atravessar um peão cauteloso numa passadeira, em não passar com o semáforo vermelho, em não estacionar em quinta fila, em não passar todos à frente na fila do superem cado.

Bem é de grande simpatia alguém que nem nos conhece e desinteressadamente anda a perder tempo e gasolina em procura do nosso automóvel, que distraidamente não tomámos nota onde o estacionámos, unicamente por simpatia e por um simples obrigado.

Nem tudo está perdido. Ou, Talvez, seja a excepção que confirma a regra, a selvajaria global!

Augusto Küttner de Magalhaes

Imagem de: www.yogabrasil.org

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