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Ainda há gente civilizada.

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etica_civismo
Imagem retirada de http://www.continental.edu.pe/

Um destes fins de dia, minha mulher e eu tivemos que ir a Centro Comercial para fazer umas rápidas compras aproveitando preços “em conta”, e jantámos qualquer coisa, naquelas zonas próprias para o efeito, chamadas de restauração. Ao nosso lado estava um casal jovem, com uma filha e um filho, pelos 5 / 7 anos, se tanto.

E por muito que não queiramos ver/ouvir, estando lado a lado e felizmente num ambiente clamo e sem a gritaria usual em espaços públicos, é quase impossível que tal não aconteça. Sendo que, por norma se vê cada um dos “ditos” familiares, com o seu telemóvel ou ipad ou algo no género e parecem nem ser Família, cestão todos juntos, mas cada um isolado.

Este caso era positivamente diferente. Todos a repartir a comida, a miúda que seria a mais velha a portar-se muito bem, o miúdo mais traquina a fazer disparates – o que por vezes, se controlável até é salutar, para não o virem a fazer em força na adolescência e na idade adulta – e o pai a “ralhar-lhe com modos”, a obrigá-lo a portar-se bem, e a mãe a apoiar o pai , o que não poucas vezes não acontece, mesmo em frente aos miúdos. E ficaram ainda , assim, quando íamos a sair, e não me contive em os ir felicitar. A mãe quase que ficou aflita pensando que estaríamos a criticá-los por “saberem educar os filhos, ou por violência sobre as criancinhas/coitadinhas”, quando percebeu que era o inverso, agradeceu e ficaram todos de grande sorriso, excepto o traquina, que olhou-nos com um ar muito sério.

Hoje, ao atravessar uma passadeira, algo cada vez menos fácil uma vez que os automóveis propositadamente não param, estava a meu lado um senhor da limpeza da Câmara com aquele pequeno carro que transporta dois baldes e umas vassouras, e ao fazermos a travessia, quando possível, o senhor por estar a olhar para o fluxo de onde vinham os automóveis levemente acertou-me com o carro. Nada de grave. E ficou muito aflito, pediu-me desculpa, perguntou se me havia magoado.

Bem um exemplo/ exemplares nesta selva em que estamos a viver, em que os pais e mães se demitem de mandar nos filhos/filhas. Em que se usa toda a parafernália – ipads, telemóveis e normalmente mais que um por cabeça – para estar em conjunto mas em solidão, e de quando em vez se vê o inverso.

Outro, quando atravessar uma passadeira é obra, dado ninguém respeitar ninguém, pedir-se desculpa até por um acto involuntário e dizer por favor o obrigado, algo que já não se usa, mas ainda há quem o faça, e nenhum era “velho”. Poucos, alguns, mas bons.

Augusto Küttner de Magalhães

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