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Ainda bem, uma jovem educada.

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Criou-se com ou sem fundamento – cada um terá a sua opinião – a ideia de que os nossos jovens por “uso e hábito”, estão a cada dia que passam menos civilizados, e elas tendencialmente pior que eles.

restaurante-jantar-mulherComo é evidente não será totalmente verdade que assim seja, mas de facto, grandes franjas das e dos nossos jovens, primam por “tomar conta dos espaços onde estão”, não tendo a mínima preocupação em “não” incomodar quem está, em respeitar quem está.

Isto, verifica-se em tudo, na condução automóvel onde podem fazer tudo – por exemplo, agora as jovens fazem inversão de marcha em qualquer lado, mesmo no sítio mais complicado, entupindo o trânsito todo, para não o fazerem no local mais próximo mas mais convenientemente – , nos locais públicos onde entre si falam, berram, como se estivessem em suas casas, no à-vontade desleixado como falam ao telemóvel todos incomodando, e por aí adiante.

Contudo, os sexagenários, ilustres e não, estão a seguir “em grande” a mesma via, com a agravante de estando a perder alguma agilidade, sentido lato, pelo passar dos anos, ficam mais surdos e ainda mais “berram” e até imitam os jovens ao volante e pior que estes.

Para além de até em vestimentas, e não só, acharem que competir com os jovens é “fixe”, como andar de boné em locais fechados, ou até a tomar as refeições, e rivalizam com esses jovens esquecendo a educação e civismo, supõe-se que tenham tido, na maior parte da vida que já viveram.

E, pode-se aqui discorrer quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha, ou seja, os pais que deveriam melhor educar – hoje e ontem – os seus rebentos, criando-lhes mais regras e menos facilitismos, ou estes que se estão marimbando para o que aprenderam e “entram” numa de “vale tudo”, e até influenciam, hoje, os pais.

Estando a ler a tomar umas notas num local público, onde também servem refeições, uma jovem, parecendo pelos livros que trazia – algumas ainda usam – universitária, sentou-se na mesa ao lado e pediu a lista para almoçar, apesar de já não ser nada cedo.

E, nestes locais é impossível não se reparar, de quando em vez, em que entra, está e sai, e ainda mais se nos invadem o espaço, com situações acima já referidas, que não foi de modo algum o caso.

Foi exactamente o contrário, teve imenso cuidado em não arrastar a cadeira, hoje tão em uso, em não colocar os livros na cadeira ao lado da mesa onde se sentou, ou a bolsa, onde estava a muita tralha, e com imenso respeito tratou o empregado – algo que não é habitual, dado que se acha que não é empregado do estabelecimento mas próprio, às ordens –  e perguntou/pedindo se ainda podia almoçar, e face a resposta afirmativa, disse o que que pretenderia, e foi almoçando e lendo.

Caiu-lhe uma folha de papel que veio parar aos meus pés – não foi propositado, já não interessa num sexagenário, e não tinha ar de o fazer – e devolvi-lha naturalmente e agradeceu muito, algo que deixou de ser “uso e costume”, hoje.

Claro que usou o telemóvel, mas com a mão na frente para não incomodar outros, claro que utilizou o Tablet, mas sempre sem ninguém apoquentar, e, uma vez que estava sozinha sem ter que “ partilhar” – como hoje se usa e abusa – a conversa. Sim, porque hoje por todo o lado vemos grupos de jovens à mesma mesa, em grupo, cada um isolado no seu Tablet ou telemóvel ou portátil, como se estivessem sozinhos.

Ao sair pediu por favor a conta ao empregado e agradeceu, e isto não deveria ser motivo de surpresa positiva, mas foi, dado que já “não se usa”. O respeito por si e pelos outros deixou de existir, e poupa-se no “por favor, obrigado, com licença, não tem de quê”!

E berra-se, faz-se barulho com tudo até a arrastar cadeiras –  que já não se levantam – , mas, mas ,a Jovem, não parecia um ET, extra- terrestre, e são estes casos que ainda dão esperança em tempos mais civilizados.

Augusto Küttner Magalhães

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