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O que aí vem. Cortes em algumas disciplinas, disciplinas semestrais, avaliação diversificada, etc…

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Estamos na antecâmara de mudanças significativas no ensino em Portugal, uma alteração profunda que vai afetar não só currículos mas também a forma como os professores trabalham e avaliam os seus alunos. A primeira dúvida que me ocorre é até que ponto a capacidade adaptativa dos professores é suficiente para uma mudança tão profunda? Não é uma crítica, é uma constatação… a desmotivação, o cansaço e a formatação de base que a classe exibe, mostra que a mesma precisará de tempo para se adaptar.

A resistência à mudança, a resistência a fazer algo diferente é garantida, seja pelos bons ou maus motivos…

A entrevista que fiz ao Secretário de Estado João Costa, deixou pistas relevantes do que aí vem. Se somarmos o que disse o Ministro da Educação, 2017 promete ser o ano de uma profunda reforma. A questão que se coloca, é se é esta a mudança que a escola quer e precisa?

Ficam algumas pistas:

Avaliação diferenciada, avaliação transdisciplinar

A avaliação deve estar ao serviço das aprendizagens e não o contrário. Para isso, é preciso centrá-la na sua dimensão formativa, o que implica diversificar cada vez mais os instrumentos de avaliação: um ensaio, um projeto interdisciplinar de aprofundamento de temas, ou até um trabalho de robótica ou de interação entre arte e ciência é um instrumento de avaliação muito mais (in)formativo do que um teste escrito, que é, por natureza, limitado no que consegue avaliar. Numa lógica transdiciplinar, podemos identificar, entre diferentes disciplinas, trabalhos comuns que exploram conteúdos e competências de cada uma das áreas e que constituem instrumentos de avaliação partilhados.

Disciplinas semestrais

Sabemos que, hoje, em algumas disciplinas, os professores têm um número excessivo de turmas e alunos. Não descartamos a hipótese de dar às escolas a possibilidade de organizar algumas disciplinas semestralmente, concentrando mais horas em cada semestre e aliviando o número de turmas.

Escolas a gerirem o tempo semanal 

Por isso, vamos convidar cada escola a gerir uma parte substancial do tempo semanal, em projetos próprios construídos com as diferentes disciplinas. Esta flexibilização potenciará interdisciplinaridade, projeto e consolidação e aprofundamento de aprendizagens.

Definição de aprendizagens essenciais

A definição deste perfil é uma peça de um puzzle maior… é um referencial do que se quer que seja o destino de cada aluno… as outras 3 peças deste puzzle são: definição de aprendizagens essenciais; estratégia de educação para a cidadania; legislação de educação inclusiva.

Cortes nas disciplinas ditas nucleares e reforço nas expressões

“Não há mais – e há muito que não as há – ciências dita “duras” e ciências dita “moles”, saberes essenciais e saberes dispensáveis; (Ministro Tiago Rodrigues)

Se somarmos a isto as provas de aferição, o fim de alguns exames, a municipalização que está mesmo aí e tendo em conta o pouco tempo que passou, estamos perante um Ministro que irá marcar a educação em Portugal.

Para bem ou para mal?

Só falta mexerem no modelo de gestão…

13 COMMENTS

  1. Aconselho, e muito, o que tem escrito o Paulo Guinote sobre o assunto! O documento sobre as Competências gerais é fraco , para tanto especialista. Por outro lado, ou não estivesse por lá um certo doutor de uma universidade confessional, parte do principio que as aulas param no tempo e toda essa treta que vão repetindo sem provarem nada…
    Digo, volto a dizer, uma reforma que não passa de uma manifestação de intenções vazias, frases feitas, e sem conteúdo;que não muda currículos, nem tempo letivo, é uma treta para embalar meninos!
    Mais , ao contrário do que muitos parecem querer dizer, é necessário saber escrever, ler e contar e é necessário, também avaliar… E, já agora, não colocar no mesmo saco alunos que trabalham e que não fazem nenhum… Também é preciso haver algumas aulas mais expositivas, quando for necessário, que não matarão ninguém… a não ser alguma ignorância muitas vezes trajada de ensino muito moderno e libertário!
    Ainda outra ”coisinha”, para refrear entusiasmos, uma reforma que não dê mais tempo aos professores para preparar aulas , corrigir teste, etc, etc, é uma reforma da tanga, que atira para os docentes, mais uma vez, uma série de facturas e os parece querer colocar-lhe a pistola do seguinte dilema: ” Vais continuar a ser um reacionário da aula expositiva ou vais juntar-te a nós , visionários da revolução pedagógica?”. Da minha parte, e pelo tom com que me chega a música já escolhi o meu lado… Sim, estou demasiado velho para mudar, muito, mas muito formatado, e não irei adaptar-me a algo que me parecer disparatado!
    E o essencial não irá mudar só por um motivo,: custa muita ”massa”!
    O que nos querem fazer acreditar é que inventaram a roda com umas ideias requentadas! Querem acabar com as retenções? Acho muito bem. Constituam-se equipas multidisciplinares com psicólogos, assistentes sociais, terapeutas da fala, gente formada em problemas de aprendizagem e depois, aí sim, falaremos!…
    Agora fazer uma reforma como os atuais Planos de Melhoria, que são um verdadeiro embuste, que não dotam as escolas de novos meios, mas que lhe as obrigam a melhorar, e a reconhecer, por vezes, que o problema é seu e não do meio sócio-económico dos alunos, da indisciplina, da indigência dos progenitores!
    É que nem todos comem e calam, nem acreditam na retórica desresponsabilizadora dos políticos, e de alguns senhores que falam das poltronas das universidades… É que à escola cabe ensinar mas cabe aos governos melhorar as condições económicas, e sociais, dos mais desfavorecidos: sem melhorarem as condições materiais, e os meios disponíveis, não há reforma que resista! E pelo que vejo, espero estar enganado, de novo o digo, é que o que está relativamente bem (sim a Escola Portuguesa é boa e não parou no século 19) vai ficar pior, e até poderá piorar bastante, caso nos queiram vender fio de estopa como de seda se tratasse!

    • Concordo consigo. Tb sou da opinião que falta constatar como será na prática. Porém, sei que se prepara uma redução letiva, mas referiu muitos pontos relevantes.

    • Já eu não concordo mesmo nada. Estamos perante uma oportunidade única de mudar.
      A conversa dos psicólogos e dos terapeutas da fala é uma enorme treta dos Eduardos Sás e do negócio que se instalou à volta das escolas. Cortam nos professores para pagar psicólogos a meio tempo. Quando eu não consigo ensinar, não atiro os meus alunos para o colo de um psicólogo. O problema é do aluno e meu. Não é de psicólogo nenhum, que vem cagar sentenças sobre a minha relação ou sobre o pathos do aluno ou o que seja. Eu é que sou formado em problemas de aprendizagem, não é a negociata dos psicólogos, que se sentam sozinho numa sala com um aluno a falar dos seus sonhos e do ambiente familiar e depois diz que é o professor que não funciona. Treta e mais treta.
      Sim, precisamos de mais recursos, mas os recursos são para podermos executar este projecto que me parece muito interessante e importante.
      Os clichés dos Cratistas continuam à solta: “é preciso saber ler, escrever e contar”. É, mas isso não é tudo e não chega. E não é com as metas do Crato que estão a aprender. Pelo contrário. “é necessário avaliar”. Não vejo isso negado em lado nenhum. Vejo é uma melhoria do que se entende por avaliação. Na minha escola fui proibido – sim, proibido – de fazer só um teste por período. E obrigam-me a fazer testes todos iguais aos da idiota da coordenadora do departamento, que faz uns testes de merda, decalcados de exercícios de um manual que não escolhi nem uso.Isto porque acreditam piamente que só os exames é que ensinam, porque o director quer é rankings. “Também é preciso haver umas aulas mais expositivas”. Quem é que nega isto? Mas gostava que o Rui Pereira apresentasse uma estatística das aulas expositivas e não expositivas da sua escola tirando a educação física. Talvez ficasse surpreendido. Eu também já escolhi o lado da música que quero ouvir. Não chamo ninguém de reaccionário ou visionário, mas estou expectante e entusiasmado e não tenho medo de o assumir só porque a proposta de mudança vem do ministério. Já faltava há muito tempo que houvesse no MEC quem percebesse alguma coisa do que fala quando fala de educação.

      • O Pedro está entusiasmado? Ainda bem! Quando o puserem a tocar a sabatina ditada pelo Sr. Presidente da Câmara, em parceria com o Senhor Diretor vai ver que os seu entusiasmo vai ficar mais escasso … É que , não sei se percebeu, o Dr. Passos Coelho vai abençoar esta nova reforma do PS… Ela é essencial para a delegação de competências nos municípios… Mesmo assim não lhe soam os alarmes??? Quando lhe reduzirem a componente letiva e depois o colocarem num suposto outro tempo (com alunos mas a que não chamarão lectivo) a ser mandado por departamentos municipais em projetos ”chalupas” e com fins políticos, então aí conversaremos…
        Mas está tão indignado com o teste que a sua coordenadora copia dos manuais?? Queria um teste só seu e fazê-lo quando lhe aprouvesse??? Eu também concordo consigo, nesse aspeto… Mas então terá de ler melhor as linhas, e as entrelinhas, do que me parece estar a cozinhar-se… É que com o futuro modelo vai ter muita mais gente a dizer-lhe o que fazer, como fazer, e como a avaliar, tudo condimentado com extensos relambórios de projetos e prática inovadora, seja lá o que isso signifique, completamente inúteis e para encher o olho da populaça… Muitos deles virão de fora das escolas para que possa ver a luz… Está interessado? Eu não! Com certeza também não estarão interessados uma larga maioria de professores quando lhe retirarem alguns dos poucos intrumentos de autonomia que lhe restam!
        Bastava eu ter lido o que o professor Justino tem vindo a escrever sobre a educação, ou o professor Joaquim Azevedo, e perceber que existe muito deles naquilo que vou lendo e ouvindo sobre esta reforma encapotada … Já sou pacaça velha para beber na mesma poça do leão!!! Só espero que os sindicatos estejam atentos e não amouchem na defesa dos interesses dos professores… Veremos!

  2. É gozo! Só pode! Mas que mudanças? Se tudo o que dizem que é novo já foi experimentado anteriormente com péssimos resultados! Mas que falta de adaptação por parte dos professores? Estão a brincar com a minha inteligência? Se há classe que me meta mais nojo pela sua adaptabilidade e falta de espinha dorsal, é infelizmente a minha! A tudo diz que sim a não ser que lhe mexam no bolso ou em questões de avaliação! Que temos feito nós nos últimos 30 anos a não ser aguentar com tudo o que esta cambada de idiotas legisla? Aguentar e depois tentar remediar os malefícios das políticas erradas! E não há uma alma que grite isto bem alto. Tudo o faz, mas em surdina…Tenho desgosto de pertencer há 33 anos a semelhante aberração de classe! E tenho dito!

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