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Agredir Professores. O Que Se Passa? O Que Tem De Ser feito? – Educare

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O site Educare procurou respostas para o que se está a passar. Fica um excerto com algumas das propostas que há muito defendo.


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O Contador do blogue ComRegras contabilizou 25 agressões (já vai em 27) em 18 semanas de aulas, uma média superior a uma agressão por semana. “A preocupação não é saber se as agressões estão a aumentar ou a diminuir, basta uma para ser muito grave”, refere Alexandre Henriques, professor e autor do blogue ComRegras. “A preocupação é constatar que as agressões são recorrentes e os docentes e não docentes não sentem que algo esteja a ser feito para alterar o rumo dos acontecimentos”, acrescenta. As agressões a professores são, sublinha, a ponta do icebergue de um clima de indisciplina e violência em muitas escolas. E os únicos dados conhecidos são das forças de segurança e os números pecam por defeito.

“O Ministério da Educação esconde-se em comunicados inócuos, sem apresentar qualquer medida. Uma sociedade que agride um professor é uma sociedade que irá agredir o padeiro, o contabilista, o médico, o jornalista, etc.”. Este fenómeno não surgiu agora. “Ao longo de anos que sucessivos governos têm afrontado, humilhado e desvalorizado o trabalho do professor, talvez para servir de exemplo para as reivindicações de outros funcionários públicos. Os professores são muitos, são uma voz ativa da sociedade e parece-me evidente que a estratégia de dividir para reinar é a norma instituída”, refere.

Cada vez mais, os alunos não querem ser professores e os professores, principalmente os mais velhos, contam os dias para ir embora das escolas. Para Alexandre Henriques, estamos perante uma fuga em massa sem qualquer tipo de renovação. “Isto deveria ser suficiente para fazer pensar quem nos governa, mas sinceramente, quando se omite realidades como a indisciplina escolar e se deturpam factos como os valores inerentes à recuperação de todo o tempo de serviço docente, significa que se perdeu a vergonha e que vale tudo”. “É impossível esquecer o teatro feito por António Costa quando chantageou toda a gente com o seu pedido de demissão, colocando, tal como Maria de Lurdes Rodrigues o fez, a sociedade contra os professores. E quando um Governo, um Ministério da Educação, não valoriza, não respeita os seus professores, a sociedade também não o fará”, acrescenta.

Alexandre Henriques aponta várias medidas para que a violência contra os professores não se torne habitual e notícia habitual. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que há um problema de indisciplina nas escolas. “No espaço de uma semana três alunos foram esfaqueados, um deles não morreu por acaso”. Em segundo lugar, conhecer a indisciplina das escolas. Qual a percentagem de alunos com participações disciplinares? Quantas participações disciplinares acontecem? Quais as zonas mais problemáticas? Qual o tipo de indisciplina mais frequente? Qual o período do dia onde costumam ocorrer mais situações de indisciplina? Quais os anos letivos mais problemáticos? “O Ministério da Educação pode perfeitamente recolher esses dados, há escolas que o fazem através de equipas multidisciplinares que até já estão legisladas, mas que estão dependentes do crédito horário que as escolas têm e que todos sabemos é bastante curto”.

Em terceiro lugar, é preciso intervir de diferentes formas. Aumentar o número de professores em regime de codocência. Reduzir o número de alunos por turma. Contratar mais funcionários para aumentar o controlo nos intervalos. Penalizar de forma efetiva as famílias que são negligentes. Reforçar o acompanhamento a famílias problemáticas. Apostar na formação de base e contínua de gestão de conflitos para docentes e não docentes. Tornar as agressões a professores um crime público. Pagar aos professores agredidos as custas processuais. Aumentar o número de psicólogos. Reduzir a carga letiva dos alunos que os leva à exaustão e consequente indisciplina. Criar percursos alternativos logo no 3.º Ciclo do Ensino Básico. Reformular o Estatuto do Aluno. São estas as propostas do autor do ComRegras.

“O ministro Tiago Brandão Rodrigues tem como sua bandeira de combate à indisciplina, a criação de tutorias que nem sequer são individuais, como se as tutorias em ‘pack’ resolvessem por magia a indisciplina escolar. Nas questões disciplinares, as escolas e os professores sentem-se abandonados à sua sorte e apesar das diversas propostas apresentadas ao Ministério da Educação, nada foi feito.” “Dá vontade de perguntar se o ministro Tiago Brandão Rodrigues se importou com os alunos esfaqueados, ou com os professores agredidos, onde até se inclui uma professora grávida. Os professores costumam dizer que antes de ensinar é preciso ter disciplina na sala de aula, se o Ministério da Educação ignora isso, porque gasta tanto tempo e tanto dinheiro em reformas pedagógicas quando ignora o prioritário?”, questiona.

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