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Agora São 200 Mil Alunos, Em Setembro Serão 2 Milhões. Cenários Para 2020/2021

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Os dados da Pordata indicam que em 2018 frequentavam o Ensino Secundário 315.522.  Tirando os alunos do 10 º ano, devemos estar a falar num possível regresso de cerca de 200 mil alunos. Sinceramente não contabilizo os alunos das creches, pois não acredito que irão regressar em número significativo, pelo menos nesta fase.

Para quem já leu as orientações para o regresso às escolas, reparou seguramente na quantidade de limitações e adaptações. À cabeça salta logo o facto de o bar estar fechado, das refeições estarem condicionadas, da circulação estar limitada, dos intervalos serem passados nas salas de aula, da imposição de distâncias de segurança que transformaram alguns ginásios e refeitórios em salas de aula, etc. Imaginem o que será uma escola com crianças dos 6 aos 15 anos,  com tanta adaptação e regra para cumprir durante 1 ano inteiro…

O “teste” que agora será feito, onde se mistura a obrigatoriedade das presenças com a aceitação da ausência, servirá como base para o próximo ano letivo, mas convém desde já realçar que o comportamento dos alunos do Ensino Secundário não tem nada a ver com o comportamento dos alunos do Ensino Básico.

Menos alunos nas escolas

Tendo em conta as limitações físicas das escolas, não vamos seguramente ter os alunos todos tal como acontecia no passado. Haverá uma simbiose entre ensino presencial e ensino à distância, onde o trabalho autónomo continuará a ser preponderante. As desigualdades e o risco de abandono, por muito que se escreva o contrário, continuarão, pois a motivação pela escola e estrutura familiar não se muda por decreto. É um trabalho presencial, constante e moroso.

Já percebemos que os exames estão imunes ao “bicho” e se antes eram vistos como importantes, esta crise sanitária provou que os anos de exame são sagrados aos olhos das altas instâncias, mesmo que digam o contrário e que o regresso seja apenas pelas aprendizagens.

Menos currículo

Não é possível reduzir uma disciplina com 5 tempos semanais presenciais para 2 tempos e achar-se que a matéria pode ser dada da mesma forma. Neste 3º período, ainda existem professores que teimam em dar matéria nova, da mesma forma como se estivessem em frente aos seus alunos, contando depois com os pais para fazerem o papel de explicadores particulares ou professores coadjuvantes. Um erro que precisa de ser revisto e atenuado.

Se no ensino presencial constatávamos que os professores e alunos, em determinados anos de ensino, passavam o tempo a “correr” para conseguir acabar o programa, agora ficaram sem pista para o fazer, tendo por isso que reduzir a velocidade, pois mesmo que as orientações não surjam de cima, a realidade irá mostrar que o ritmo de aprendizagem mudou e mudou muito.

Professores 

Há duas formas de olhar para a situação dos professores, uma positiva e outra negativa. Com a redução do número de alunos por sala, poderá ser necessária a contratação de novos professores, algo que para  este “teste” até foi autorizado.

Porém, se a redução da componente letiva (presencial) acompanhar a redução do número de aulas presenciais, significará que os mesmos professores podem ter mais turmas, e se cada professor tiver mais turmas, o Estado vai precisar de menos professores.

Impensável dirão alguns, esperemos que sim, mas como sou da opinião que vamos ter uma crise económica e o Primeiro-Ministro já afirmou que não quer nova austeridade, ou seja, corte de salários, a redução do número de empregados será apenas uma consequência do covid-19, acompanhando a tendência mundial e à qual o Governo não será responsável aos olhos da sociedade.

Dou o exemplo do Desporto Escolar, que para os professores de Educação Física representam, se não estou enganado, cerca de 1400 horários a nível nacional. Alguém acredita que o Governo vai continuar a pagar 1400 horários a algo que não está a ser lecionado? Até pode existir uma ou outra modalidade, mas tudo o que é modalidades coletivas vão ficar no estaleiro.

Em resumo, existem certezas que apesar de não estarem no papel serão uma consequência natural das orientações/obrigações sanitárias, mas outras ainda são de difícil perceção. É preciso manter o realismo e lembrar que grande parte das políticas educativas seguem as políticas financeiras e não o contrário, basta ver os últimos dados de março para ficarmos apreensivos com o que nos vai acontecer em 2020/2021.

Alexandre Henriques

Nota: estou a partir do pressuposto que não vamos ter uma política de reintegração à Trump ou Bolsonaro, se isso acontecer, tudo o que escrevi em cima deixa de ter qualquer relevância.

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