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IMG_20150925_141231Ainda sem qualquer avaliação mais ou menos fiável ou que permita perceber reações, aceitações, impactos ou simples interjeições o Alexandre perguntou, qual desafio, se eu me aguentava à semana. Ou seja, e que tal um artigo semanal. Não se falou em alterar aquilo que, até ao momento, estabeleci como linha de orientação, mais ou menos página e meia de texto, entre os 3 mil e os 3 mil e quinhentos carateres, com temas e assuntos que envolvem o meu olhar sobre a escola e onde, de algum modo, o professor é elemento central.

E pronto a partir de hoje, neste mesmo sítio e à mesma hora, cá estarei a dissertar sobre algo ou alguma coisa que me ocorre ou despertou algum tipo de curiosidade na escola. Nunca esquecer (referi isso na minha primeira vez aqui) que escrevo sempre em função de um contexto (de espaço, tempo e de conhecimentos) que me condicionam e orientam quer a escrita, quer a reflexão que procuro fazer com ela.

E é este o meu tema de hoje, a escrita como elemento de reflexão.

Sempre escrevi, essencialmente para mim mesmo. Tenho aqui à minha frente os cadernos que me acompanham desde quase o começo da minha profissão. O momento exato em que comecei a guardar os cadernos de escrita está identificado, 1992. Foi o ano em adquiri e guardei o meu primeiro caderno. Razão simples, integrei o que era, na altura, o conselho diretivo da escola onde estava. Senti, com essa participação, necessidade de começar a registar, guardar e, por vezes, sistematizar, os meus objetivos, as diferentes reuniões e encontros em que participava, definir a minha agenda e identificar o meu trabalho para as aulas que continuava a ter. À medida que os meus cadernos se foram avolumando, em média é um por ano mas há anos em que tenho dois, senti a necessidade de escrever sobre mim mesmo, sobre a minha prática pedagógica, as minhas ilações e reflexões. Ganhou de tal forma consistência que hoje oriento os meus alunos na escrita, quase que imponho a escrita. Que escrevam sobre o que fizeram, o que acharam, o que deviam ter feito e não fizeram, o que fizeram e não deviam ter feito.

Escrever ganha assim espaço de reflexão e interiorização. A velocidade com que se escreve, particularmente à mão, obriga-nos a pensar o que pensamos e escrevemos, a organizar e sistematizar o pensamento de forma mais consistente e pretensamente mais coerente, à medida que o transpomos para o papel ou para o ecrã. A velocidade, claramente mais reduzida com que se escreve em vez da forma como falamos, obriga o aluno – e qualquer pessoa – a pensar a escrita, a pensar o seu pensamento, a ter uma outra ideia do que pensa. Se, aliada à escrita, surgir a leitura do que se escreveu, com o aluno preferencialmente em voz alta, então ganha-se um espaço de consciencialização e perceção do que se fez, do que se escreveu e da leitura que se faz que apenas favorece quer o aluno que lê, quer a turma que ouve (quando nos aprestamos a isso), quer o docente em termos de conhecimento do aluno que tem pela frente.

Tenho consciência que temos pouco tempo para o que quer que seja que não seja despejar o programa, cumprir com as metas ou concretizar os objetivos da disciplina, do grupo ou do departamento a que pertencemos. Tenho consciência que o espaço de manobra para coisas diferentes e onde pretensamente se perde tempo é pouco, reduzido, limitado. Mas se a centralidade do aluno não for um lugar vazio ou apenas preenchido pelas preocupações do docente, estou certo que se identificarão momentos para que possamos escrever, independentemente da disciplina, dos temas tratados ou dos tempos que se tem. E pode-se escrever sobre o que pensamos do nosso trabalho, dos colegas, dos conteúdos, da disciplina, da escola, do tempo, dos sentimentos, do que ouvimos, do que não gostamos ou gostamos. Podemos e devemos escrever sobre isto e sobre aquilo, para tudo e para nada.

Escrever ajuda a pensar. Agora à semana.

Manuel Dinis P. Cabeça

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