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Afinal…Tudo Vai Bem Na Educação

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Ontem, na RTP, perdeu-se uma grande oportunidade para debater a indisciplina!

Na realidade, o que se viu e ouviu ontem não foi mais que uma conversa, que bem podia ter sido de café que seria a mesmíssima coisa, entre alguns “ilustres” da área educativa, mas do tema pouco se falou ou debateu!

Afinal, até pareceu propaganda política porque pelo que ouvi as escola são um local bem seguro na sua globalidade e os casos de violência são de facto residuais…logo foi a confirmação do que o ME diz…obrigado colegas por terem confirmado a informação ministerial.

A certa altura percebe-se que havia três pessoas com vontade de colocar o dedo na ferida, o Luís, o Hélder e a própria Fátima que se viu constantemente a tentar focar os intervenientes!

Mas também se viu a vontade de alguns de fugirem da questão central, preferindo focarem-se nos próprios feitos e umbigos! Uma pena de facto!

Curioso, também, que, no meio de tantas sumidades, a única pessoa que referiu, independentemente das aulas mais ou menos flexíveis, mais ou menos vanguardistas, que os alunos não tem o direito de serem indisciplinados, ter sido a Fátima!

A certa altura a culpa da indisciplina era dos próprios professores, que não se adaptaram, não souberam flexibilizar a relação, e da escola, que não soube lidar com os alunos oferecendo o que eles querem…a escola e os professores ficaram no séc XIX e os alunos já são do séc XXI…

A reter do que foi dito: falta formação aos professores para lidar com estes alunos; não há nada que um aluno possa dizer ou fazer que ofenda um professor; os professores agredidos têm apoio da direção e do ME;

Uma pena não terem conseguido fazer um programa com algum conteúdo, não porque queira que se realcem os “podres” da escola pública mas porque é a debater os temas que se pode encontrar soluções!

Foi como chamarem decoradores para tratarem da humidade de uma casa!

Pena!

Alberto Veronesi


Carregue no link para ver o debate

Prós e Contras

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10 COMENTÁRIOS

  1. Completamente de acordo com esta análise. Afinal, o tema principal do programa, ficou relegado para um plano secundaríssimo.
    Aliás no artigo anterior, “Professora perde bebé depois de ter sido atacada em sala de aula”, o meu comentário seria exatamente este: depois do “Prós e Contras” de ontem, afinal está todo bem!

  2. Passei pontualmente pelo programa, que não aprecio, e não consegui ficar dada a pobreza das intervenções. Ainda pensei que o azar fosse meu, mas, a avaliar pelos comentários que tenho lido, parece que não perdi nada e além disso corroboram a perceção que tive em cada visita.
    Se o debate é tão pobre é porque a realidade é pior do que a imaginamos!
    Como é possível haver tanto consenso quando a realidade e os desafios são tantos e diversos?
    Como é possível funcionar tudo tão bem se tropeçamos no quotidiano com tanta disfuncionalidade, para já não falar do aumento do consumo de antidepressivos em Portugal!
    Algo vai mal no “reino”!
    Ou será que estamos condenados a ser a imitação de país de que Eça falava?

  3. Mais uma vez, e não sendo da mesma classe mas de uma ligeiramente ao lado e que começa a sofrer do mesmo mal, sou professor no ensino universitário e lido no dia a dia com muitos colegas do ensino básico e secundário, mas volto a dizer, a vossa classe está desunida, cada um puxa para o seu lado e isso vê-se no dia a dia. Não adianta fazer greves às aulas, aos exames, etc, os prejudicados serão os alunos e o ME adapta-se. Façam outras coisas que prejudiquem mesmo o ME, façam greves às burocracias, às vossas avaliações, etc…

  4. .
    Os professores são um bando reles de HIPÓCRITAS.

    São um grupo em que cada um zela pelos seus interesses pessoais não se importando nada que o colega leve nos cornos de um aluno.

    Foi isto que ontem se viu no Prós e Contras em que a plateia era constituída por esse reles grupo profissional a que dão o nome de professores.

    Conjunto de indivíduos que quis ficar na fotografia e que se coloca em bicos de pés para parecer bem em frente ás camaras da RTP.

    HIPÓCRITAS

    • Um ego desmesurado, a necessidade de reconhecimento e de afago do amor próprio foi sempre uma das razões para o distanciamento entre professores e para a eficácia do princípio pragmático da tutela: dividir para reinar.
      Há professores cujo principal esforço é receber mais maçãs vermelhas do que outros. Esses fazem não importa o quê para poder afirmar que nunca foram agredidos por ninguém (se calhar nunca se colocaram em situação de o merecer) e que estão na primeira fila para ocupar um lugar de honra no concurso do melhor flautista de Hamelin.

  5. A classe dos professores não existe, é uma ficção, uma abstração, uma hipóstase. É uma classe muito heterogénea, com origens, percursos, objetivos muito diversificados e formações dispares. Essa fragmentação dos professores explica a facilidade com que os professores são toureados pela tutela e é um dos principais motivos da sua fragilidade e vulnerabilidade perante os múltiplos ataques de que é alvo. É um grupo profissional muito pesado, informe, de fácil desagregação, com pouca flexibilidade e dificuldade de reação, ao contrário de outras classes profissionais, com formações mais comuns e percursos mais homogéneos em que a identidade de classe não é um problema, aí a rapidez de resposta e as suas intervenções cirúrgicas são consequentes, como por exemplo na classe dos médicos e enfermeiros.
    Encontrar a unidade na diversidade tem sido encontrar a quadratura do círculo.
    Acompanho o sentimento de SC e as suas preocupações. Talvez a veleidade com que acossam os professores e o vincar do seu sofrimento façam com que , ou a classe se despovoe, ou se levante num tsunami estrondoso.
    A frivolidade e alheamento que o poder dedica à casa onde se gera a Democracia ( ao contrário do que o poder pensa a democracia não surge por geração espontânea nem emana da graça divina) pode ter efeito boomerang.

  6. O Alberto Veronesi tem razão. O programa meteu-me nojo, aliás, finda a primeira parte decidi não ver mais, tal foi o asco que o programa me deu, portanto nem sei como foi a segunda parte, mas suponho que fosse mais de coisa nenhuma e já tinha decidido não comentar mais nada em sítio nenhum, sobre temas de ensino, no final das contas nada tenho a ver com a profissão e mesmo o meu filho já não é aluno, mas uma sociedade progride pelo ensino e pela aprendizagem associada e lamento realmente que a coisa esteja entregue a teóricos do tudo que não resolvem coisa nenhuma, e que para lugares de destaque se vão buscar por nomeação e mesmo por eleição, no caso dos directores, os que não levantam problemas e que não resolvem coisa nenhuma e depois os professores, por aquilo que vi na Segunda-Feira, lamento dizê-lo, mas só têm aquilo que merecem, pois confirmaram aquilo que o Ministério disse: “não se passa nada e o que se passa é menos grave que em anos anteriores”.

    • Lelo, tens o mome contigo. Se és professor, és tu que tens de contribuir para a solução, se és lelo, és partr do problema, eu é que não tenho nada a ver ou a haver com ele. I’m out.

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