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Aferir Ou Rasteirar?

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Acabaram hoje as Provas De Aferição do 2.º ano de escolaridade. Ufa! Dizemos todos, (menos aqueles que ainda as vão corrigir, como eu!) não pela pressão, porque faço questão de a sacudir e de proteger os meus alunos dela, mas pela palermice que elas representam!

Analisando as duas provas, assim sem querer ser muito cansativo, apenas me vem uma palavra à mente: rasteirar!

Foi isso que senti na de português com um texto que exigia um nível de inferência não adaptado a alunos de 7/8 anos.

Foi isso que senti com a alusão às palavras homónimas (conteúdo que não faz parte) quando se exigia que identificassem verbos em frases deste tipo:

A menina toca na tartaruga.
A raposa fica na toca.
O coelho deu um salto enorme.
Eu salto à corda.
A tartaruga caminha na praia.
A caminha é confortável.

Com este tipo de exercícios não aferimos, rasteiramos crianças que acabaram de tomar contacto com as classes das palavras!

Foi isso que senti quando se diz isto:

A Sara tem 235 nozes.
A Sara tem menos 83 nozes do que a Inês.
Quantas nozes tem a Inês?
Mostra como chegaste à tua resposta.

Induzindo o aluno em erro, invertendo o sentido lógico da pergunta, a pergunta devia ser a Inês tem mais 83 nozes que a Sara, ao alterarmos o vocábulo induzimos em erro e isso não é aferir é rasteirar.

Foi isso que senti quando apresentaram um exercício assim:

Nem consigo comentar, um grau de complexidade tal que duvido que muitos do quarto ano o conseguissem resolver, no entanto acharam por bem colocar numa prova do segundo ano, para aferir, claro está!

Poderia, exaustivamente, argumentar contra estas provas, mas fico-me pela rama, deixando para quem queira essa análise mais profunda, que eu sinceramente já não tenho paciência para tanta burrice…

Pergunto: Quando se quer aferir os conhecimentos de alguém, é justo que se preguem rasteiras?

Francamente, o que vos posso dizer é que estas provas só confirmam aquilo que se vem dizendo, que a sua inutilidade  é demasiado evidente!

Alberto Veronesi

P.S. A Análise exposta no público chega depois da escrita deste artigo, mas confirma o que disse. Aqui

Sobre este assunto pode ler:

Das Provas De Aferição Aos Seus Corretores

Provas De Aferição Para Que Te Quero?

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1 COMENTÁRIO

  1. Sinceramente é mais uma prova da incompetência dos fulanos e fulanas que trabalham no IAVE Não os chamo professores porque nenhum professor que se digne faria tal barbaridade… Quando numa reunião, na minha região, o ex diretor do IAVE teve a lata de afirmar que os professores só sabiam avaliar com o exel. Foi embora, não deixa saudades mas deixou os seguidoras que não têm vergonha na cara.

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