Home Vários Acordai!

Acordai!

317
1

Os professores têm muitos motivos para se revoltarem com este ministério da educação, que leva seis anos, mas que não consegue resolver problemas na educação. Uns motivos serão mais graves do que outros, mas o que une os professores são motivos que interfiram com a remuneração dos professores ou que interfiram com a sua despesa para trabalharem.

Assim, não me espanta que na cabeça da mobilização dos professores esteja a carreira e os estrangulamentos no 4º e 6º escalões. Consigo compreender que a petição em curso esteja a ser um sucesso e em muito poucos dias, pois, interfere com a remuneração futura dos professores e com a atual ADD estamos a criar injustiças, porque o sistema de avaliação prevalecente é político e não meritocrático. Político, porque se escolhe em função de um modelo político de afinidades e não da capacidade comprovada de saber dar aulas, como, até agora, nenhum professor ligado à direção da minha escola não deixou de ter um Muito Bom ou Excelente – reflexo de um modelo de gestão com o poder concentrado no diretor que protege os seus colaboradores -, depois os bons pedagogos são muitas vezes preteridos para se contornar as quotas. A própria ADD cria um simulacro de avaliação das aulas, pois o número reduzido de aulas avaliadas permite que haja uma adaptação de quem está a ser avaliado ao momento. Com a recuperação parcial do tempo de serviço congelado muitos professores têm sido avaliados e sentido na pele estas injustiças daí que a petição esteja a ser um sucesso.

Depois, surgiu um outro movimento o do apagão do ensino à distância por 15 minutos e em crescendo semanal com mais períodos de apagão. Aqui estamos perante um aumento da despesa com o teletrabalho e uso de equipamentos pessoais, quando a lei prevê a cedência de equipamentos pelos empregadores e o ressarcir de despesas adicionais de eletricidade. Mais uma vez a classe docente fica à margem da lei, que não se lhes aplica.

Há ainda outros fatores que podem a provocar descontentamento aos professores, também fomos a exceção à regra no combate à pandemia, não cumprindo a distância de segurança nas salas de aula. Outros há, mais estruturais, como a necessidade de um modelo de gestão mais democrático e com mais equilíbrio de poderes, a desvalorização da profissão que está a provocar falta de profissionais e alunos sem aulas , a revisão dos horários a concurso para terem um mínimo de horas, a vinculação, para só falar dos mais importantes.

Concluindo, começam a aparecer movimentações reivindicativas na classe docente, apesar das araras continuarem a ouvir-se – com o argumento de que agora não é o momento -, mas a maioria da classe começou a sentir na pele as discriminações e incongruências do poder excessivo dos diretores, de um modelo ADD absurdo e político, da ausência do ministro, etc. Por fim, tenhamos presentes o caso inglês, em que sindicatos e diretores, falam da necessidade se rever o acordo coletivo de trabalho se houver prolongamento do horário ou menos férias de verão – diretores do lado dos professores e não a meio da ponte…

1 COMMENT

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here