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Abandono Escolar À Distância. O Que Fazer?

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Professores e pais concordam: no ensino à distância, se houver suspeita de que um aluno está em abandono escolar, a situação deve ser investigada. Pode haver negligência, violência ou dramas em casa.

Não tem de ser à primeira vez que a mãe não atende o telefone à professora, nem quando a primeira carta registada volta para trás. Mas se o encarregado de educação insistir em não responder às solicitações dos professores, ou se o paradeiro de um aluno for incerto, as escolas devem garantir que o estudante se encontra bem. E as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) devem ser avisadas se houver suspeita de abandono escolar, defende o Ministério da Educação, em resposta ao Observador. Em breve, a tutela irá enviarinformação detalhada às escolas sobre como deve ser controlada a assiduidade dos alunos em tempo de ensino à distância.

Neste ponto, pais, professores e diretores concordam: se houver suspeita de abandono escolar, as autoridades devem ser alertadas, tal e qual como acontece quando o ensino decorre numa sala de aula e sem a pandemia do novo coronavírus a espalhar-se pelo mundo. “Quando um aluno falta durante algum tempo, sem motivo justificado, e o professor não tem resposta a nenhum contacto, oficiamos a CPCJ”, explica Filinto Lima, presidente da ANDAEP, associação de diretores de escolas públicas. A partir daí, a investigação decorre, feita pelas autoridades competentes, e, em casos extremos, pode culminar na retirada das crianças à família.

Mas pode um pai recusar que os menores sejam ensinados à distância? Ninguém, nem nas associações de pais, nem nos sindicatos de professores, encontra motivos válidos para que um encarregado de educação possa alegar que não quer que o filho siga as indicações dos professores. O único argumento será a falta de equipamento informático.

“Os pais até podem dizer que o seu filho não faz determinada tarefa, mas o professor assinalará isso na avaliação do aluno. Se eu, pai, digo para ele não participar, é o mesmo que estar a recusar-me a levá-lo à escola. Não me parece justificado. E o decreto lei do Governo só diz que terminou o ensino presencial”, defende Jorge Ascensão, da Confap, confederação de associações de pais.
Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, conta que, durante os últimos 15 dias do 2.º período, o objetivo de muitos docentes foi tentar perceber se os alunos apareciam. “Muitos não apareceram. Essa era uma das preocupações constantes: tentar perceber o motivo, se era por falta de computador, de internet, ou se era outra coisa”, diz, defendendo que a escola pode e deve relatar situações suspeitas às CPCJ. “Já havia miúdos sinalizados, a ser seguidos, e, nesses casos, com ensino à distância, as suas situações podem tornar-se mais complicadas.”Ana Cláudia Cohen, diretora do agrupamento de escolas de Alcanena,já teve de pedir à GNR que visitasse a casa de dois alunos.“Felizmente, resolveu-se tudo na hora”, diz, preferindo não entrar em mais detalhes sobre os dois casos concretos. “O ensino é obrigatório, o ano letivo não foi interrompido, só presencialmente. Os pais podem levantar questões relacionadas com questões de saúde ou segurança, tudo o resto não me parece que faça sentido.”

Em Lisboa, no agrupamento de escolas Manuel da Maia, que serve os bairros de Campo de Ourique e do Vale de Alcântara, o diretor Luís Mocho conta que ainda não chegaram ao ponto de enviar a polícia a casa de nenhum aluno, mas estão a fazer uma listagem de todos aqueles que ainda não deram sinais de vida.

“O ensino à distância é um oásis para os alunos que nunca quiseram saber da escola. No presencial, mesmo que não fossem às aulas, andavam por ali, estavam à vista, no recreio. Agora não. Há famílias que não atendem o telefone, não respondem a emails, nada. Nem o aluno, nem o encarregado de educação”, conta o diretor. Para já, estão a terminar um ficheiro com o nome de todos os alunos que deixaram de dar notícias para tentar perceber como vão conseguir chegar a cada um deles. “Eu sei quem é cada um destes alunos, o que não estamos a conseguir é chegar a todos. Alguns aproveitaram para ‘fugir’ da escola”, conta Luís Mocho, esclarecendo que irá avisar as CPCJ se necessário, embora esteja a tentar evitá-lo.

Os pais podem recusar que os filhos estejam horas ao computador?

Filinto Lima, diretor do agrupamento de escolas Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, também defende que os pais “não têm legitimidade para pôr em causa as indicações do Governo”. E o ensino à distância, frisa o Ministério da Educação em resposta ao Observador, “é obrigatório, não é opcional”.

“Ninguém exige que os jovens estejam quatro, cinco ou seis horas em frente ao computador. As aulas síncronas não devem ter mais de 30 minutos e depois deve haver trabalho autónomo. Os pais que têm essa preocupação espero que a tenham em todos os contextos em que os jovens estão ao computador e não só com o tempo dedicado aos conteúdos académicos”, argumenta Jorge Ascenção.

Para ler a notícia na íntegra: Observador

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