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A verdade é incómoda por ser verdadeira

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Dizer-se algo que é verdade pura e dura a alguém “incomoda”. Estamos todos formatados a poder dizer as verdades aos outros e até de forma rude ou até deseducada, mas quando nos são ditas, reagimos muito mal. Por norma passamos ao ataque, e conforme o grau de “confiança” o ataque pode ser pessoal ou excessivamente grosseiro.

Verdade-dói-mas-curaMas sempre ataque e não justificação pelo que nos está a ser dito.

Em situações profissionais, e essencialmente no nosso País, onde grande parte das pessoas que estão no topo das Instituições públicas e privadas, para lá chegarem, atingiram “O Princípio de Peter” – ou seja foram promovidas ao seu grau de incompetência – a reacção a uma verdade por mais correta e educadamente que seja dita, é expressada da forma mais selvagem conseguível.

O que não poucas vezes é muito diferente nos casos raros, cada vez mais raros que deixarão de existir, em que se chega ao poder por mérito e com conteúdo.

Por norma o poder que não se sabe exercer, faz-se aos berros, amesquinhado, insultando – a única forma de quem não está preparado para lá estar o exercer – não querendo ouvir verdades, aviltando o outro, reprimindo, se necessário interrompendo a conversa, mandado calar, e ficando a “pedra no sapato” para na primeira oportunidade com poder não merecido, lixar o que está abaixo. As verdades incomodam tanto e tantos, por serem verdadeiras!

A verdade de facto dói. A verdade não se pode dizer, dado que termos tantas verdades e gostamos por demasiado não de ouvir a verdade mas, em vez “disso” de ser bajulados, em força.

Mesmo que seja pura mentira a bajulação funciona “em grande”. Não poucas vezes nas nossas empresas vale muito mais o subordinado adulador que o subordinador que faz bem o seu trabalho. Por outro lado as verdades, até em questões pessoais funcionam à maravilha se é para benefício próprio, quando é para benefício do semelhante em igualdade de circunstâncias, passa a mentira.

E se, se deve sempre conseguir, ter a coragem – hoje algo vazio de significado – em dizer verdade, também nunca deve ser feito com o intuito de ofender a quem estamos a dizer. E, tanto se devem dizer verdades que possam não ser do agrado de quem as ouve, como exactamente o contrário, elogiar sem bajular, quando é devido e merecido. Sempre!

Mas é difícil, se não impossível, num tempo em que a mentira vence a verdade, em que o sensacionalismo está a dar, em que o narcisismo é o que caracteriza tantas pessoas, demasiadas pessoas, essencialmente as que chegam aos tais lugar de topo não por mérito mas por outras razões, que nada têm a ver com o lugar onde “estão”, para lhes ser possível ouvir uma pequena verdade. Não podem. Ponto!

Claro que isto também passa, e de que maneira e de que maneira, para as órbitas dos nossos políticos que ao ouvirem uma verdade atacam rudemente a quem a diz. E giramos felizes e contentes num tempo de falsidade e inverdades, que não será de bom futuro. Ou será?

Augusto Küttner Magalhães

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