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A Principal Razão

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Há uns anos dizia-se que o custo total das reprovações dos alunos era de 150 milhões de euros, agora fala-se em 250 milhões. Em breve falaremos em tostões.

A passagem administrativa é um problema que merece uma análise mais profunda, mas em resumo podemos centrar a questão na falta de soluções eficazes para os alunos com dificuldades de aprendizagens e o facilitismo inerente a este tipo de política. Dizer a um aluno que tem que se esforçar porque é importante para a sua formação futura não chega, a ameaça do “chumbo”, de perder o grupo onde está inserido é um motivador negativo, mas não deixa de ser um motivador.

Fica a partilha da notícia do Correio da Manhã e reportagem da Sic.


Lei antichumbo no Ensino Básico poupa cinco mil euros por aluno

O Programa de Governo prevê “um plano de não retenção no Ensino Básico” que pode representar uma poupança de 250 milhões de euros por ano. É este o valor que o Estado despende por ano atualmente com as reprovações de cerca de 50 mil alunos, segundo números do Ministério da Educação.

Ou seja, cada chumbo custa 5 mil euros ao Estado, valor que seria poupado com o “plano de não retenção” proposto no Programa de Governo. Na legislatura, a poupança seria de mil milhões de euros, a manter-se o atual nível de chumbos.

Entre os professores, este plano tem gerado indignação, visível sobretudo na blogosfera e em grupos nas redes sociais.

“É uma indignação que tem razão de ser porque há o receio de que se caminhe para uma solução administrativa de abolir as retenções, medida que não combateria o insucesso escolar”, disse ao CM João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE).

Muitos professores consideram que já existe pressão para aprovar os alunos e temem que essa pressão aumente: “Os professores exigem que as escolas tenham recursos para combater o insucesso e não querem estar embrulhados em situações de justificação de casos reais de insucesso”, disse Dias da Silva.

Ministério nega passagens administrativas
O Ministério da Educação já veio garantir, em resposta a perguntas do CM, que não haverá “uma mera eliminação administrativa da figura da retenção”.

A tutela diz que o objetivo é continuar a reduzir a quantidade de retenções. “O Programa de Governo prevê que seja desenhado um programa assente em medidas pedagógicas que garantem a aprendizagem de forma mais individualizada, visando a progressiva redução das retenções.”

Obrigação de repetir todas as disciplinas
Uma das situações muito contestada é o facto de um aluno que reprove no Ensino Básico (1º ao 9º ano) ser obrigado a repetir todas as disciplinas, mesmo aquelas em que teve aprovação. Este ponto já foi muito criticado em 2015 num parecer do Conselho Nacional de Educação.

PORMENORES
Exceção com Passos Coelho
O número de chumbos no Ensino Básico tem vindo a cair desde 2002, exceção feita aos anos do governo de Passos Coelho, tendo as reprovações aumentado em 2012 e 2013. Nesse mandato foram introduzidas provas finais nos 4º e 6º anos.

Menos 32 mil chumbos
Com o anterior governo, que aboliu as provas finais dos 4º e 6º anos, a taxa de retenção no Ensino Básico foi reduzida de 7,9 para 5,1 por cento. Em 2018 houve 50 372 retenções, face às 82 294 de 2015, numa quebra de quase 32 mil chumbos.

Fonte: Correio da Manhã

https://youtu.be/mqiMcCUt130

8 COMMENTS

  1. Eu estou felicíssimo : não vai haver mais recursos nenhuns, porque a medida só visa reduzir despesa; o laxismo, que já vai grasso, ainda piorará; farão mais umas grelhas e macacadas gerais para justificar a passagem administrativa; eu vou trabalhar menos. Como dizia o outro ”porreiro pá!”.
    O único senão é que vou ter de arranjar ”carcanhol” para meter mais dois filhos em colégios privados que um já lá anda…

  2. O problema maior, é continuar o discurso dos “alunos com dificuldades de aprendizagens”. E haver professores a continuar a alinhar com este discurso. Há 20-40 anos ainda era assim, mas desde há mais de uma década que só chumbam os alunos que se recusam fazer o que quer que seja. Portanto, não estamos a falar de transitar alunos com dificuldades que não foram apoiados pela escola. O que está em causa, é transitar alunos que se recusam fazer o que quer que seja, dentro da sala de aula ou em casa.

    • Compreendo o que diz e não lhe tiro a razão, mas ainda existem alunos com dificuldades de aprendizagem que ficam retidos.

  3. Quem quer instrução decente terá que colocar filhos e netos no privado tipo Brasil ou EUA.

    Vai ser a destruição de um bem maior, Educação Pública de Qualidade.

  4. Tenho pena dos nossos jovens que ainda se interessam pela escola. Que motivação vão ter para trabalhar mais do que os outros que se recusam a fazer o que quer que seja??

    Este governo vai criar uma geração de gente licenciada, mas analfabeta! Vai ser, sem dúvida, a destruição da Educação Pública!

  5. Governantes que se prezem, não podem simplesmente querer acabar com as retenções no ensino básico sem investirem, digo, investirem com seriedade e honestidade na Educação. Se existem modelos de sucesso educativo em países como a Finlândia e outros, pois que implementem o que se faz por lá, começando por valorizar e respeitar os professores e o seu trabalho. Como disse a jovem Malala, nas Nações Unidas, “uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo.(…) A educação em primeiro lugar.” “Mirem-se no exemplo…”.
    Tenho dito.

  6. Se o valor da poupança for direcionado para recursos humanos, mais professores, técnicos especializados, auxiliares, que contribuam efetivamente para equilibrar o “desnivelamento” das aprendizagens….

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