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A Polónia oferece manuais escolares e não é só ao 1º ano de escolaridade

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livros online

Foi notícia há bem pouco tempo que o Ministério de Educação irá oferecer os livros escolares aos alunos do 1º ano no próximo ano letivo. Uma iniciativa positiva principalmente se se confirmar a progressão desta medida a outros anos e níveis de ensino.

Em cima da mesa está a discussão de um modelo que pretende tornar gratuitos não só os manuais, mas todos os recursos didáticos, e para todos os anos da escolaridade obrigatória.

“Com vista à efetivação deste modelo em todos os ciclos de ensino, será constituído um grupo de trabalho, do qual decorrerá um plano plurianual de implementação do modelo de gratuitidade na aquisição e reutilização de manuais escolares e recursos didáticos”, explicou a tutela.

A Polónia há alguns anos era nossa parceira nos rankings educativos. No entanto, uma aposta fortíssima na autonomia escolar colocou a Polónia em linha com outras referências educativas como a nossa bem conhecida Finlândia.

Esta medida acabou por revelar-se fundamental para o sucesso da nova organização educativa do país, que assentou, em grande medida, numa descentralização de competências para os níveis local e regional da administração e num reforço da autonomia das escolas. “Essa foi a questão central do nosso sucesso”, avalia Maciej Jakubowski, consciente de que esta forma de gestão do sistema educativo “é algo que não existe em Portugal”. “Todos os bons sistemas são baseados numa autonomia das escolas e dos professores muito forte. Se vocês querem ter sucesso, têm que fazer isso”, sugere.

Mas não ficaram por aqui, a Polónia é neste momento pioneira na utilização digital de manuais escolares, o que só por si é interessante, mas ainda por cima são totalmente gratuitos, abrangendo diferentes anos de escolaridade. E como se trata de uma plataforma digital, permite uma atualização sistemática dos manuais sem custos acrescidos. Eis um caso de um país que soube conjugar a tecnologia em prole da educação e finanças. Aliás, hoje em dia com a quantidade de Gigabytes disponíveis em “nuvens informáticas” e com o acesso transversal que existe da Internet, este sistema, com algum investimento de dispositivos tecnologícos, seria muito vantajoso não só para os bolsos das famílias mas também na diminuição da pegada ecológica.

Não tenham dúvidas que este vai ser o futuro e situações como a aqui descrita, apenas farão parte da história da Educação em Portugal.

“Mas a Polónia tem mais dinheiro?”

“A Polónia tem menos dívida pública?”

“A Polónia gasta mais em Educação?”

Errado, Correto e Errado novamente. Os últimos dados da OCDE (2012) que comparam Portugal com a Polónia, revelam curiosamente uma despesa semelhante entre os dois países no que diz respeito à Educação. E não deixa de ser irónico que é em 2016, numa altura em que o Estado gasta ainda menos com a Educação, que Portugal avance com esta medida.

Numa altura de grande aperto financeiro, em virtude do garrote da dívida pública, fruto de anos e anos de má gestão, podíamos seguir alguns bons exemplos que poupariam muitos milhões às famílias e às escolas.

Portugal Polónia
Fonte: Jornal Público 15-7-2015
despesa educação Polónia vs Portugal
Fonte: Jornal Público 15-7-2015

Fica a notícia e um pequeno excerto

Poland Is Pioneering the World’s First National Open Textbook Program

Open educational resources (OER) like these are teaching and learning materials with open licenses that can be used freely, improved continuously, and repurposed indefinitely. This saves money for both schools and parents, and empowers teachers to adapt textbooks according to their needs. In addition, standard curricula can be enriched with local materials developed within the school community through student projects or parental input, making lessons more relevant and interesting to students.

humor Portugal_Polónia
Fonte: Jornal Público 19-7-2015
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3 COMENTÁRIOS

  1. Sou absolutamente contra a substituição total de manuais escolares em papel. O uso excessivo da tecnologia está a formar indivíduos que sabem trabalhar com uma ferramenta mas cada vez menos capazes de uma prática reflexiva da realidade. A tecnologia excessiva está a imbecilizar uma geração. Alguns parecem querer ignorar milénios de cultura, de escrita, de livros… O uso de novas ferramentas, mesmo que muito modernas, não torna as pessoas mais sábias. Numa recente entrevista o professor Sobrinho Simões falava precisamente nisto… Os livros, o papel, o uso dos sentidos, não pode ser descurado na formação dos indivíduos. É uma ideia ridícula pensar que a tecnologia, por si, vai resolver os problemas de toda uma sociedade. É também uma falácia acreditar que só se aprende por motivação e não por repetição de processos…

  2. Por Joseval Estigaribia: No Estado de São Paulo todo material didático é gratuito, incluindo cadernos, lápis, caneta e livros didaticos/paradidáticos . As lixeiras das salas de aula vivem cheias de papel amassado!

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