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A pauta deve sempre dizer a verdade…

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Nunca compreendi o motivo pelo qual um pai pede um recurso de nota simplesmente para passar de um 3 para 4 ou de um 4 para 5. O efeito prático é exactamente o mesmo pois as classificações atribuídas só definem médias no ensino secundário. O efeito boomerang de uma atitude destas é frequentemente esquecido em virtude de egos que só pensam em molduras bonitas e pouco na realidade e princípios de vida para os mais pequenos.

A antipatia que irá surgir no avaliador e restantes colegas por serem postos em causa, deve ser bem ponderada e fundamentada. Os professores não são robôs e são muito sensíveis quanto ao seu juízo avaliativo ( não é uma crítica), não aceitando que terceiros, ainda por cima sem serem especialistas, lhes digam que avaliaram de forma incorreta. Direta ou indiretamente a tolerância para com o aluno irá diminuir substancialmente, até para provar que o que se avaliou estava correto.

Alguns pais e já agora alguns professores, teimam em alterar notas na “secretaria” (sim é uma crítica) só porque fica mal a um aluno ter tudo 4 ou tudo 5 e depois fica com um 3 a destoar. Mas qual é o problema? Não é real? Não é justo? Não é verdadeiro? A escola não deve ter como premissa o efetivo desempenho dos seus alunos?

Um dos argumentos mais utilizados nos recursos é a comparação com terceiros. Errado! Questionar uma nota terá de ir sempre pelo incumprimento dos critérios de avaliação em vigor, ou por qualquer falha no cumprimento dos direitos dos alunos.

Considero que existe alguma perversidade em levar os alunos a pensar que são algo que realmente não são. E aqui tanto são culpados pais como professores. Este é um assunto que causa muitos atritos internamente e externamente, e como sempre, pede-se bom senso por parte de todos os intervenientes.

Pais e professores devem canalizar energias para os verdadeiros problemas e esquecerem algumas festas de vaidades que são quadros de honra e dias de diplomas.

A sondagem realizada e que podem ver em baixo, mostra que a opinião geral é a favor da pauta da verdade, mesmo que um aluno se encontre em hipotética situação de retenção. A passagem administrativa deve ficar clara para todos, principalmente para o aluno em causa.

Urge acabar com tristes espectáculos de mudanças de notas que tem um efeito bola de neve não só no próprio conselho de turma como nos restantes.

Aos pais apenas uma palavra. Confiança! Confiem mais em nós,  acreditem mais em nós,  sejam nossos aliados e não se deixem levar por ilusões ou invejas do vizinho do lado. Compreendam que a nota não é apenas um mecanismo avaliativo, a nota é também, ou deveria de ser, uma mensagem pedagógica para que o aluno melhore o seu desempenho no futuro. E a melhor mensagem que se pode passar a quem está a crescer é dizer-lhe a verdade!

sondagem transição

 

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4 COMENTÁRIOS

  1. É curioso que comecei a ler este artigo e tive um “dejavu” …
    Eu também pensava assim…até ao dia em que transferi uma das minhas filhas de escola para o 10º ano.
    1ª questão: notas de exame do ensino básico, para poder ingressar numa turma compatível…
    Azar nosso, a escola enganou-se (ou não…) e enviou as notas erradas, sendo que, uma delas era negativa! Sempre que falavam nas pautas, a miúda tinha que corrigir, que as notas estavam erradas!!
    Chegada ao 11º ano surgem os exames nacionais.Percebi algumas coisas que nunca tinha percebido!!
    – “Atenção, que tu és a nossa aluna dos 5/5…”
    No 8º ano teve 5 a todas as disciplinas e 3 a Educação Visual…marcou-a no sentido de se desinteressar totalmente por esta área, nomeadamente a professora!!
    Admito que devia ser assim, mas as coisas não são tão simplistas como o texto descreve. Os pais, querem os filhos nas turmas adequadas, os professores, não querem falhar na discrepância avaliativa e nota de exame…enfim…
    Esperemos que as coisas mudem, porque mais vale falar delas, do que não dizer nada!

    • A pauta verdadeira é um facto, cabe ao aluno e também aos pais “ler” a pauta e persistir, não desistir…

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