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A pandemia não é motivo para ser complacente.

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Em primeiro lugar quero esclarecer que defendo o ensino à distância numa lógica de «second best», isto é na impossibilidade, por motivos de saúde, de haver o presencial, o ensino à distância «desenrasca», mesmo sem a totalidade dos computadores entregues – falha do governo que só encomendou alguns no final de dezembro -, no sentido que permite manter os alunos ligados à escola para todos, enquanto nestas férias só os que puderam pagar explicações online é que se mantiveram ligados.

Dito isto, há ainda problemas para resolver, como a ausência da imagem dos alunos durante as aulas síncronas, as condições e instrumentos de trabalho dos professores em teletrabalho, que têm de dar o seu consentimento para o uso do seu material pessoal, a capacidade da internet nas famílias adequada a um único utilizador, mas inoperante com 3 ou 4 utilizadores em simultâneo. A melhoria das condições do ensino à distância não é um problema que se protele por causa da pandemia, como alguns colegas defendem, pois o deixa andar, se algo não funcionar bem, prejudica, em última rácio, os alunos. Veja-se o meu caso, tenho teletrabalho e uma adolescente em aulas, dou-lhe prioridade no uso do equipamento mais fidedigno, ficando com um equipamento que falha em certas horas do dia, logo estarei a prejudicar os meus alunos, pelo que se este cenário acontecer solicitarei que me deixem trabalhar a partir de uma sala de aula com computador e câmara. Mas tudo isto era evitável se o ministério fosse competente e antecipasse os piores cenários. É inopinado e contraditório ver um cientista com uma atitude baseada na fé…

Ainda sobre manter uma atitude complacente por causa da pandemia, aceitaria se no passado, os direitos dos professores não tenham sido atropelados sistematicamente: não contagem do tempo de serviço na totalidade, avaliação de desempenho docente que protege os colaboradores e amigos das direções, com prejuízo dos professores que só ensinam – que eu saiba a principal função do professor é centrada no processo ensino / aprendizagem -, as reuniões à distância muitas vezes prolongam-se até ás 9:30/10 horas com prejuízo da família, professores contratados com poucas horas e ordenados muito baixos. Não fui exaustivo, mas com e sem pandemia devemos dizer basta à degradação da profissão que tem afastado os estudantes dos cursos de professores com a consequente dificuldade em alguns grupos em recrutar professores, salvo se racionarmos de forma individual, se estamos menos mal nada mais me interessa…

Concluindo, não serei compreensivo com quem degradou a minha profissão, que adoro, mesmo em plena pandemia. Não serei compreensivo com quem falhou na antecipação dos cenários mais negativos e mostrou incompetência. Não serei compreensivo com quem nos engana, como no caso dos computadores. Não serei compreensivo com uma ADD que transforma a escola num feudo do diretor. Continuarei a defender os meus alunos e por eles acho crucial haver soluções, incluindo para um teletrabalho que respeite a lei.

3 COMMENTS

  1. Sem comentários. Deplorável, exceto quando responsabiliza este governo pelo estado em que nos encontramos. Devia olhar para os enfermeiros e médicos que se queixam da falta de recursos, mas não baixam os braços.Quando viver uma situação de sobrevivência urgente, em que tudo fica para trás, talvez perceba a razão pela qual devemos ser COMPLACENTES.

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