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A pandemia está a criar insegurança nas escolas e a afetar o ensino.

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A vida nas escolas tem sido atribulada e insegura pelo que o presente ano letivo é diferente dos demais para pior, ainda que, reconheçamos, melhor que a experiência do ensino à distância do ano letivo anterior. Mas, o ensino à distância deixou consequências no arranque deste ano letivo, como uma maior dificuldade de alguns alunos voltarem ao ritmo normal, existindo bastantes alunos que perderam o ritmo habitual e estão com dificuldades em acompanhar este regresso ao ensino presencial. Esta é uma queixa comum dos professores feita nos Conselhos de Turma intercalares.

Não bastando este facto, há mais turbulências, em primeiro lugar há uma maior «dança de professores» a dar aulas, pois tem havido mais substituições, que normalmente não acontecem logo pelo que haverá mais aulas previstas e não dadas. Esta «dança» complica a avaliação dos alunos que depois de se adaptarem a um professor levam com outro e com novo período de adaptação.

Os alunos estão inseguros não só devido às mudanças de docentes mas também com a multiplicação de casos Covid nas próprias turmas – trabalho num dos concelhos de risco máximo. Também existe insegurança emocional quer porque quando o isolamento (profilático ou mesmo com o Covid) toca aos alunos a pandemia deixa de ser distante e começa a criar insegurança. Além disso começam a acontecer histórias de situações de alguma gravidade no seu circulo próximo o que vem aumentar esta insegurança.

A insegurança vem também da escola ser tratada como exceção às regras gerais no que respeita à distância entre alunos, à utilização de critérios diferenciados nos casos confirmados e à desconfiança na tese de que a escola não é transmissora quando 80% dos casos não foram rastreados com sucesso, além de se assistir ao aumento de casos nas idades escolares. Nas conversas inevitáveis entre professores e alunos nós apercebemo-nos de que os alunos têm consciência destas contradições, quer porque são seres pensantes quer porque há este debate no seio das famílias. Esta insegurança reduz a eficácia do processo ensino / aprendizagem.

Concluindo, o presente ano letivo está muito longe de ser normal, mesmo com as aulas a decorrerem presencialmente. Há problemas de adaptação de alguns alunos ao ensino presencial depois do ensino à distância. Há maior «dança» de professores e insegurança a crescer com o multiplicar de casos em ambiente escolar, tanto mais que os alunos se apercebem das contradições na gestão da pandemia que faz do ambiente escolar uma exceção à regra.

Rui Ferreira

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