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A Minha Leitura Dos Programas Eleitorais Sobre Educação

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A minha leitura dos programas eleitorais vai ser feita por ordem decrescente de temas que considero prioritários: modelo de gestão, disciplina/indisciplina, área curricular versus avaliações externas e outros temas.

O modelo de gestão precisa de ser revisto, para se reintroduzir a democracia nas escolas, com eleições diretas e acabar com abusos de alguns diretores, que rapidamente se esquecem que são professores. A democracia não resolve tudo, mas cria mecanismos que permitem remover mais facilmente os abusos. A este propósito relembro o artigo: Exemplos De Como Um Diretor Consegue Castigar E Pressionar Um Professor, Por  Alexandre Henriques, em 25 Setembro, 2019. Além disso, esta é uma medida que ajudará a combater o absentismo eleitoral nacional ao proporcionar aos alunos possibilidade de participar em eleições. Os programas do BE e CDU são os únicos a defender a alteração do modelo de gestão.

Em segundo lugar nas minhas prioridades tenho o combate à indisciplina, que permite melhorar a eficiência dos tempos letivos, garantido o bom funcionamento das aulas e menos desgaste do professor. Quando há perturbações na sala de aula, perdem não só os indisciplinados, mas também os disciplinados. A operacionalização da possibilidade de um serviço cívico escolar é para mim uma prioridade. Este tema vem tratado pelo PSD.

A última legislação deste governo, o perfil do aluno e os decretos 54 e 55, estão em contradição com a manutenção da avaliação externa. Isto é a implementação plena do perfil do aluno articulado com os referidos normativos leva a que se acabe com a avaliação externa. Esta bipolaridade do ensino precisa de ser resolvida. O PS, BE e CDU apontam para o reforço da autonomia do ensino básico e secundário, mas ninguém defende explicitamente o fim dos exames. Já o PSD e CDS prevêem a prevalência da avaliação externa. Mais uma vez, se houver alternância, teremos mudanças, sem avaliação das reformas, outro dos grandes pecados do nosso sistema de ensino.

Por fim um último tema, a burocracia que tira tempo aos professores para o essencial, o trabalho com os alunos, trabalho este nem sempre letivo e por isso é usado para intensificar o trabalho dos professores que está a provocar burnout na profissão. Este tema é aflorado pelo BE e CDU.

Concluindo, é nos programas do BE e CDU que encontro algumas das questões que considero essenciais tratadas convenientemente. O programa do PSD tem o mérito de pelo menos ter referências ao problema da indisciplina e optar pela importância da avaliação externa.

Rui Ferreira

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