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A menos cobiçada?

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“A quem será atribuída a pasta da educação neste “novo” governo?” é o que suscita a curiosidade de muitos no rescaldo das eleições. Nuno Crato? Seria a primeira vez, desde o 25 de abril, que teríamos o mesmo ministro em dois mandatos consecutivos, quando muitos vários não cumpriram, por uma ou outra razão, o seu mandato até ao final. Dada a polémica, e incoerência, que têm gerado as suas políticas, e o desgaste da sua imagem, não o creio!  No entanto, não invejo a sorte ao nomeado/a … uma pasta amaldiçoada, aos olhos de muitos quem investimento-educacao-debate-eed-entrevista-2por lá tem passado nunca agrada, nunca é competente o suficiente, nunca toma as medidas consideradas necessárias, importantes e prioritárias, nunca conhece a realidade das escolas… Qual foi a última vez que tivemos aquilo que podemos apelidar, consensualmente, de um bom ministro da educação?
A linha de ação iniciada por Maria de Lurdes Rodrigues, e à qual Nuno Crato deu seguimento, é difícil de gerir e digerir; a primeira feriu de morte a imagem, orgulho e a autoridade dos professores e o segundo tentou exterminar a faceta mais humana da escola em nome do rigor, da exigência, dos números e das estatísticas. Ambos revelaram, em vertentes diferentes, desconhecer profundamente o âmago da realidade escolar e dos seus membros.
Está na natureza humana oferecer resistência ao que é novo, ao diferente do habitual, a tudo o que implique mexer em poderes, direitos e rotinas adquiridas e estabelecidas. As mudanças são necessárias, mas nem sempre bem-vindas, no entanto o diálogo entre as partes envolvidas é essencial para uma boa implementação. Um diálogo praticamente inexistente e um antagonismo levado ao extremo é o que temos assistido, nos últimos anos, entre o ministério e membros da comunidade educativa, para o qual não tem contribuído favoravelmente a posição/postura de muitos sindicatos.
Que este seja o início de um novo “ciclo” mais auspicioso onde urge rever: a elevada carga horária semanal dos alunos, o que não agradará a alguns pais nem a alguns professores; o grau de exigência preconizada pelas metas curriculares, inatingível pela maioria; o excessivo número de aluno por turma; a necessidade de criar cursos de cariz prático, profissionalizantes e eficazes para os alunos de 2º e 3º ciclo que não se enquadram no ensino regular; restabelecer e proteger, efetivamente, a autoridade do professor, repensar tendo em conta o percurso escolar do aluno, ao longo do 3º ciclo, as áreas que poderá, ou não, frequentar no ensino secundário, os cortes na educação especial, a avaliação de docentes, os moldes que regem os vários concursos de professores, a elevada burocracia existente nas escolas, entre muitas outras.
Será que é desta que teremos um bom ministro da educação…? A esperança é a última a morrer, há quem diga que “Pior não pode ser!” mas a experiência diz-me o contrário.
Aguardemos …

Pi

Imagem: Fonte

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