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A matemática e os resultados do TIMSS.

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Resultados divulgados esta terça-feira do TIMSS indicam que os estudantes portugueses do 4º ano a matemática interromperam em 2019 uma série de resultados de melhoria com uma queda acentuada.

Mal esta notícia foi divulgada o atual SE Costa e o ex-ministro Crato entraram numa espiral de acusações mútuas que nada ajudam a uma reflexão sobre tais resultados, porque transformaram um momento que devia ser de reflexão num confronto político e a política retira racionalidade às discussões e reflexões.

Relembrando que Crato saiu em 2015, os alunos avaliados fizeram a escolaridade básica inicial já com a atual equipa de educação, pelo que fica mal ao SE Costa sacudir a água do capote – o ministro continua confinado. Depois, como que a reconhecer alguma responsabilidade, anuncia medidas no ensino da matemática e tais medidas se são necessárias é porque há algo a mudar, ou seja, este anúncio não deixa de ser uma mea culpa e tardia.

Pessoalmente estou contra o fim dos exames no 4º ano de escolaridade a matemática e a português. Usando a analogia da testagem do vírus, se não se testar não se sabe quem o tem, no ensino se não houver avaliação não se sabe qual a percentagem de sucesso e como remediar o insucesso. Interessa-me principalmente esta última parte numa perspetiva de inverter o insucesso e das medidas que podem ser aplicadas para tal que passam por disponibilizar recursos para que a inversão se concretize. Ora este ministério tem preferido não avaliar e nada sabendo do que se passa na realidade depois não tem de se preocupar em arranjar recursos para remediar – por falta de força política?

Neste contexto os resultados do TIMSS são uma chamada à realidade dolorosa para a atual equipa ministerial. Tem de enfrentar o problema (e muitos outros: falta de professores, horas não letivas em excesso, restaurar a confiança da classe docente) e não fazer de conta que não existem problemas. Não sou professor do primeiro ciclo, portanto não sei o que está mal, pelo que me fico por uma questão metodológica: conhecer a realidade para agir.

Concluindo é necessário voltarmos a uma avaliação de conhecimentos no 4º ano a português e a matemática. Uma vez feita esta radiografia depois é preciso encontrar respostas para o/os problema/as detetados. Por exemplo, fazer o exame em finais de janeiro, para ter o resto do ano para inverter os casos de insucesso, num segundo exame em julho, criando grupos mais pequenos para recuperar os alunos – sei que neste caso seriam precisos recursos humanos extras e portanto orçamento.

Rui Ferreira

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