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A Matemática “Adora” Ser O Patinho Feio

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É aceitável tirar negativa a matemática!  Tornou-se uma questão cultural, profundamente enraizada na sociedade e na escola portuguesa.

Se, por exemplo, um aluno chegar a casa com negativa a matemática e a educação musical, a surpresa maior será a classificação obtida na disciplina de música…

Mas afinal, de quem é a culpa pelos maus resultados conhecidos hoje, onde 33% dos alunos transitaram para o Ensino Secundário com negativa a matemática.

É dos alunos? É dos professores? É da disciplina?

Arrumo desde já a questão dos alunos e professores, ambos têm um perfil e capacidades demasiado heterogéneas, incapazes de inclinar de forma “organizada” os resultados.

Apesar de não ser da minha “poda”, acredito ser um problema da disciplina e como tal estrutural, tendo sido agravado pelo currículo absurdo do antigo Ministro Nuno Crato, um obstinado pela disciplina e pelo aluno robotizado.

Não faz sentido, ano após ano, com números mais ou menos negros, manter o conceito, os objetivos, a estrutura e as metodologias de ensino da Matemática com estes resultados. Seja matemática, ou outra disciplina qualquer. É como se os pneus não servissem para o carro que temos…

Nunca mais me esqueço da minha orientadora de estágio quando me abriu os olhos e disse “os exercícios da tua aula, os conteúdos da tua aula, os objetivos da tua aula, têm de ser exequíveis para pelo menos 80% dos teus alunos. E isso não é facilitismo é ajustares a aula ao que tens à tua frente.”

Não me parece que seja esse o caso, pois o insucesso é enorme. E o pior é que na notícia constatamos que as duas associações de matemática (já agora, para quê duas?), não estão em sintonia. A APM diz que é uma questão cultural e que é preciso inverter metodologias, enquanto que a SPM diz que os resultados até são positivos, mas culpa o facilitismo (???) fazendo um apelo às alterações das metas curriculares.

Espero sinceramente que não se continue a empurrar com a barriga um problema que está na cara de toda a gente. E apesar de não ter qualquer tipo de prova, às vezes penso que se trata de um certo tipo de orgulho, onde a importância da disciplina se mede pelas negativas que aplica, ao bom estilo “cadeirão” do Ensino Superior…

Um em cada três alunos passa o 9.º ano com negativa a Matemática

A disciplina é a única excepção no relatório que mostra uma melhoria de resultados nos alunos do 3.º ciclo. Matemática é também a disciplina onde é mais difícil recuperar desta negativa: apenas 18% o fizeram no 10º ano.

4 COMMENTS

  1. Eu não sou professor de matemática, mas, contrariamente ao colega que escreveu este texto, até compreendo, em parte, os resultados. Tive dois filhos a estudar e verifiquei que, quer queiramos quer não, há “coisas” que não dependem só do professor. Há disciplinas que requerem, em simultâneo, a capacidade de imaginar no espaço, a capacidade de raciocínio e a capacidade de atenção/concentração, ( para além de estudo e dedicação, comum a todas ) as quais, se não existirem numa pessoa, por muita insistência dos professores e mesmo dos pais, por muita hora de estudo e aplicação por parte do aluno, impedem o sucesso .
    Cada um de nós já nasce com características próprias, pontos em que somos fortes e pontos em que somos menos fortes e mesmo fracos. Eu gostaria muito de ser um excelente matemático, mas nunca o conseguiria ser…Eu gostaria muito de ser um exímio pianista, mas por muito treino que tivesse e excelentes mestres, nunca o seria. O mesmo poderia dizer em relação a muitas outras profissões. “Querer não é poder”. Querer não é sinónimo de conseguir. Não é mesmo!
    Não somos iguais, somos diferentes e eu vejo que os professores trabalham imenso, a culpa não é deles, nem da maior parte dos alunos, nem da disciplina. Não se pode imputar a culpa a ninguém. A menos que se adequem os conteúdos previstos às capacidades ou “incapacidades” das pessoas, haverá o tal almejado sucesso. É questão de “facilitar”. Isso significa tão só que o aluno aprendeu alguma coisa, não o que deveria aprender, mas o que conseguiu aprender.
    A matemática não é “a má da fita”.

  2. Concordo com o sr Mário, na exposição que fez e na conclusão de que a matemática não é a má da fita. No entant acrescento que há falhas na preparação dos professores, de um modo geral. Cada indivíduo é diferente do outro. Isso obrigaria o professor a adaptar o seu método aos alunos que tem na frente. Mas o professor não é uma máquina que possa fazer isso com 30 ou mais indivíduos em simultâneo. As turmas são grandes demais, mas nem todos os professores têm essa “habilidade” ou não fotam formados no foco que é a satisfação do cliente, o aluno.

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