Home Escola A linha da frente não é só no hospital – Mário Silva

A linha da frente não é só no hospital – Mário Silva

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Convinha falar publicamente que manter professores em idade de risco em salas de 30m2 com mais de 25 alunos, muitas vezes sem ventilação, e durante uma manhã ou tarde inteira consecutivamente, é estar na linha da frente do contágio do covid-19. Sempre que um docente inicia a semana de trabalho, não sabe se será a última da sua vida ou se ficará com mazelas para toda a vida porque é um dos azarados genéticos que não tem imunidade e fica agarrado a um ventilador, porque sabe que a escola é um antro de contágio. Para um docente no topo da carreira, o mais inteligente é ficar com incapacidade temporária durante o ano letivo, porque entre as possiveis consequências e as perdas salariais, a escolha é óbvia. Para os outros docentes, devido aos escalões baixos em que gravitam e com as despesas familiares que ainda suportam, já têm de ponderar seriamente as perdas salariais durante um ano. Aliás, este é outro assunto que vai outra vez afetar a classe: a progressão na carreira. Com a certeza do défice a aumentar, todos sabem que a receita usual é atacar os salários e progressões na carreira; quem já subiu para o 7º escalão ou ainda vai subir em 2021, está safo e pertence ao grupo dos sortudos que podem chegar ao topo da carreira. Os que ainda estão entre o 1º e 6º escalões, vão-se tramar porque dificilmente subirão de escalão, e de certeza que não chegarão ao topo, já que durante 2021 vão começar a diminuir as vagas para o 7º escalão e 5º escalão, e nos anos seguintes tudo se conjuga para novos ‘congelamentos’, por causa dos milhares de milhões que foram desviados para pagar os cataclismos financeiros (TAP, Novo Banco, BPN, PPP, etc.).

Existe um conjunto de dezenas de milhares de docentes com nenhuma esperança na melhoria da sua qualidade de vida financeira, pelo que questiona-se legitimamente qual a sua motivação para um desempenho profissional. Normalmente, serão os utentes os prejudicados finais, que no caso da educação, os efeitos só serão visiveis vários anos depois…

Mário Silva

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