Home Rubricas A Institucionalização da Mentira

A Institucionalização da Mentira

1142
3

Mais um pertinente texto do colega Carlos Rodrigues.

«Publicação das pautas.
Há os alunos que Passaram, os que Não Passaram e os que Foram Passados!
É sobre estes últimos que eu gostava de questionar, conhecer e compreender para ter uma ideia melhor formulada a respeito daquilo que, me parecem, à partida, serem BOAS e MÁS PRÁTICAS na transição dos alunos nos níveis intermédios de ciclo. Não está em causa o passar de ano, por ser o mais adequado aquele aluno em específico e por estar determinado que a retenção dá-se num nível excecional.
O que está em causa são os processos, os propósitos e as diferentes imagens de escola, através das opções entre uns e os outros. Muito sinceramente, pois é algo absolutamente recorrente de norte a sul do país, fazer de uma e de outra maneira.
Os colegas são de acordo que os alunos transitem com uma alínea, sendo que as notas na pauta explanam os Critérios de Avaliação do Agrupamento/ Escola, de acordo com o rigor da realidade de todo o processo anual, ou, tem alguma vantagem, no vosso entender, retirar os Níveis DOIS, transformando-os em Níveis TRÊS para o aluno passar a se encontrar, dentro da lei, em situação de transição?
O meu pensamento de partida diz-me que ambas as situações causam alguma fricção na comunidade educativa, pois, um determinado aluno vê-se retido com 5 negativas enquanto o seu colega de turma transitou com as mesmas 5 negativas. Mas, neste caso, existe a justificação da lei. No outro caso, um determinado aluno vê-se retido com 5 níveis negativos, enquanto o seu colega de turma transitou com 3 níveis negativos, sendo que, a testemunha de toda a turma e do próprio, de acordo com os Critérios de Avaliação do Agrupamento/ Escola, espantosamente, dois desses níveis passaram a 3!

Isto não aconteceu na “minha” escola, tenho de o dizer assim, isto acontece nas escolas de Portugal e é esta dúvida que quero tirar, principalmente obter depoimentos que defendam a transformação dos níveis 2 para níveis 3 a alunos que se apresentam com 5, 6, ou 7 níveis negativos aquando o CT de Avaliação. Dessa forma ajudam-me a compreender e de preferência a reformular aquilo que eu chamo, mas não queria, de institucionalização da mentira, ou, como o sociólogo Licínio Lima, de “infidelidade normativa” aquando da atribuição de nível 3 a um aluno que, de acordo com os Critérios de Avaliação alcançou a média de 37% ou menos!
É de coração aberto que pergunto, o meu interesse é compreender para poder melhorar.
Muito Obrigado.
(acrescento que esta publicação não pretende ser de caráter científico nem exaustiva, tão somente um aflorar do tema, nesta praça pública da rede social, onde a liberdade de questionar e desejar saber mais, não nos deve conduzir a um sentir-se enredado.)»

3 COMMENTS

  1. Em todos os agrupamentos, haverá excepções, está instituída uma MENTIRA, uma vigarice, um apoucamento dos professores, uma vergonha institucionalizada! Meia dúzia de indivíduos medíocres, alguns académicos da treta das ciências esotéricas da educação, estão a pôr em causa o que tão arduamente foi conquistado pelos professores, pais, e alunos portugueses! O que mais me revolta é que serão os alunos que mais pagarão este desvario! Assim destruíram um dos melhores sistemas educativos do Mundo : o da Suécia! Uma vergonha! Os pais deviam revoltar-se contra esta ignomínia!

  2. Caro Professor
    A mentira é uma Instituição! Na administração pública, no parlamento, no governo, no jornalismo, na segurança social, na banca, na comunicação social, no privado, na economia, …, a escola não pode fugir a tal contexto…e, caso tente, será apontada, discriminada, perderá eventuais apoios e cair-lhe-á uma inpecçãozita boa para a tosse e para evangelizar a malta resistente ( atenção que se se mantiver fiel a si próprio…a ameaça do processo disciplinar estar-lhes – á na pontinha da língua que muitos também já terão sido alvo de uma pregação missionária…)…
    … mas, adiante que neste momento deve olhar bem para o 54 e 55 e concluir que se o jovem tem 35% ou coisa que o valha a culpa é SEMPRE do professor…que não foi de encontro às suas necessidades, que não motivou, que não simplificou, que não adequou, que não valorizou outras valências, que não manteve a atenção e proximidade necessárias a uma eficaz detecção de problemas e equação de soluções, que não inovou, que não diversificou estratégias/instrumentos/avaliação,…
    – Se o jovem, mesmo que não ponha os pés nas aulas, se dedique a assaltar os colegas e até a dar-lhes umas boas “caroladas” e se os põe nas aulas para a indisciplinar a para gozar com os colegas e professores têm direito ao sucesso (nível básico de sucesso = 3)…tudo isto porque entre professores (cheios de medidas universais)e equipas multicoiso com RTP’S e CEI’s … se a criatura se está a borrifar para a escola a culpa é sua por lhe tirar o direito “universal” ao sucesso.

    Trabalhar para ele (para o sucesso) isso é coisa de sociedades discriminatórias, exclusivas, elitistas, produtivas e informadas ( que político quer uma população instruída, informada e crítica???)

    O País pagará bem caro este ardiloso engodo!

  3. Estamos numa situação de vergonha.
    Para lamber o rabo aos governantes, alguns professores, psicólogos e diretores, pressionam o CT para passar TODA a gente porque a retenção não tem ganhos.
    Há muitas formas de pressionar.
    Está institucionalizada a MENTIRA e associações de pais , sindicatos e comunicação social assobia para o lado.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here