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A indisciplina é um fator a ter em conta na melhoria da escola portuguesa.

A segunda página do JN de 3 de dezembro tem o título: indisciplina nas aulas penaliza resultados dos alunos portugueses. Na notícia é explicitado que «mais de metade dos alunos portugueses (53.5%) assumem não ouvir o que os professores lhes dizem em algumas aulas e cerca de 1/5 em muitas aulas». «Cerca de um terço (30%) queixa-se que os professores, em muitas (19.6%) ou em todas as aulas (8.7%) demoram muito tempo a conseguirem acalmar a turma». «Na avaliação da leitura, os alunos que se queixam de ter sempre barulho e indisciplina nas aulas tiveram menos 17 pontos dos que garantem não ter indisciplina a perturbar as aulas».

Um dos meus temas principais em educação é precisamente as escolas serem muito permissivas com a indisciplina, quer a de baixa intensidade que fazem diminuir a produtividade das aulas e distraem os alunos, quer a de alta intensidade, que entra no registo disciplinar e obriga os professores a tomarem medidas disciplinares, que tem um contador no ComRegras para os casos mais graves.

Tenho alertado que em geral as direções dão pouca atenção aos problemas de indisciplina, a lógica é evitarem serem falados. No que toca à legislação, nomeadamente o estatuto do aluno, precisa de ser melhorado para agilizar as formas de castigo relacionadas com serviço comunitário.

Ainda recentemente num conselho de turma intercalar, um encarregado de educação não percebia porque o seu educando tinha piorado e tentámos explicar-lhe que o comportamento da turma se tinha degradado e que o seu educando era vítima do contexto, primeiro porque a eficácia das aulas estava mais comprometida pela indisciplina, segundo porque agora o educando se deixava mais ir pelo ambiente envolvente, prejudicando o seu empenho, ou seja, estava mais vezes distraído com as ações dos colegas. Por fim percebeu e recomendou aos professores mais rigor, mas muitos encarregados não entendem que a ação dos outros alunos podem prejudicar os seus educandos, em especial numa idade em pautam comportamentos pelos grupos de pertença. Também em post anterior fiz uma descrição de uma aula, perturbada por atrasos dos alunos e por problemas disciplinares e sua consequência na matéria lecionada e como lecionada, https://contraofacilitismo.blogs.sapo.pt/uma-aula-com-alunos-indisciplinados-66341, de 16 de outubro de 2019.

Concluindo, estar atento à indisciplina pode melhorar os resultados escolares, para isso é preciso empenho dos professores e principalmente apoio das direções no combate a este flagelo, enfrentando o problema e não o metendo para baixo do tapete. Também é preciso agilizar o estatuto do aluno.

1 COMMENT

  1. Nós, professores, podemos fazer tudo, até o pino para combater a indisciplina. Contudo, é preciso, fundamental mesmo, ter os pais a remar no mesmo sentido que nós e não em sentido contrário. O que se passa, e falo com conhecimento de causa, é que os pais, constantemente, nos desautorizam, enfrentando, ameaçando, agredindo os professores dentro e fora da escola. Com pés e mãos atadas, não podemos fazer nada. Os meninos são de porcelana. Podem agredir física ou verbalmente os professores e à mínima reação destes, temos os pais a responder na mesma moeda: os professores não podem, sequer, repreender os alunos. Ainda esta semana, depois de ter sido insultado por um aluno (que lhe chamou “filho da puta”) um professor reagiu puxando uma orelha ao aluno. Resultado: uma espera, seguida de ameaça, à porta da escola por parte do pai ( diga-se recente ex-presidiário). O referido professor, que sofre do coração, ia tendo um ataque não fosse a pronta ajuda de outros colegas. Informada a PSP a resposta foi: é melhor não apresentar queixa porque puxou a orelha ao menino e isso só lhe vai trazer problemas. Não é isto ridículo? Que sociedade estamos a criar?

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