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A indisciplina: de onde vem?

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À parte das reformas do sistema educativo, todos nos apercebemos da alteração das dinâmicas em contexto escolar, nomeadamente o comportamento, interesse, motivação, expectativas quer do aluno, quer do professor e até dos pais.

Oficina de PsicologiaA forma como o aluno nos dias de hoje encara a escola e os professores alterou-se bastante. Antigamente a autoridade do professor não era posta em causa, submetendo-se os alunos “passivamente” à hierarquia estabelecida professor-aluno, devido sobretudo ao estatuto com que este se apresentava perante os alunos e à competência que lhe era atribuída.

Entre os diversos fatores que têm contribuído para estas mudanças contam-se: a diminuição do prestígio social da profissão docente, o alargamento da escolaridade obrigatória e a maior incerteza quanto ao futuro escolar e profissional. Estes valores levam a que os alunos, por um lado, questionem o valor/utilidade do “saber escolar” apresentado pelo professor e, por outro, percecionem a escola como uma obrigação, um dever, uma fonte de insatisfação e de incertezas, e não como um direito, um espaço de desenvolvimento e de estabilidade.

À medida que estas alterações foram ocorrendo, as situações de indisciplina foram-se tornando cada vez mais frequentes e complexas. A noção de indisciplina integra todos os comportamentos e atitudes dos alunos que perturbam e inviabilizam as atividades que o professor pretende desenvolver no espaço escolar.

Entre os motivos que podem estar na base da indisciplina por parte do aluno podemos referir os seguintes: falta de perspetiva em relação à transição de ano ou a obtenção de uma nota positiva na disciplina em causa; desagrado em relação às temáticas abordadas na aula ou à forma como o professor as apresenta; insatisfação face às relações interpessoais permitidas ou promovidas pelo professor; a sua imagem como líder informal da turma ao manifestar coragem para enfrentar o professor.

Para além disso, influenciam o comportamento do aluno, o meio sociocultural, os estilos parentais educativos e o padrão de comportamento aprendido em contexto familiar. Por exemplo: verifica-se que os filhos de pais autoritários ou de pais permissivos apresentam um menor controlo de impulsos, comparativamente aos filhos de pais em que predominam práticas parentais assertivas.

Adicionalmente, interfere o estilo pedagógico do professor, nomeadamente as competências de comunicação, assertividade, disciplina e liderança, ou seja, a forma como interage com os alunos, expõe e aplica as regras e limites em sala de aula. O trabalho em equipa dos professores também se revela essencial para prevenir e resolver situações de indisciplina ou insucesso escolar, confrontando formas de atuação e procurando uniformizar os seus procedimentos e estabelecer regras que permitam uma maior consonância docente da escola.

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