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A Indecente Ignorância

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Depois de este fim de semana um conhecido semanário ter publicado mais um ataque à nossa Dignidade, quase roçando o gozo, recordei o texto da colega Margarida Tomaz, um exemplo da realidade que nós Professores vivemos mas que alguns teimam em não ver, continuando a disseminar a ignorância.

«A INDECÊNCIA

Em 2006 pensei fazer um toma à negatividade dos discursos obscenos que grassavam na TV contra os professores e candidatei-me a mestrado. Durante esta formação, ao contrário do enjoo que tenho ouvido a muitos que realizaram outros mestrados, voei com leituras e vivi a prática docente com a energia de alguém que estava no caminho certo e, por isso, eu saía das aulas às minhas turmas sempre com um sorriso enorme por dentro, o que já era habitual, como um desafio que eu sempre vencia! Entretanto, tentei doutoramento o que era muito complicado: compatibilizar horários, cumprir como gosto com os meus alunos e cumprir as propinas e os transportes, depois de uma recessão brutal nos escalões e no salário. Decidi enveredar por um projeto de ensino de Língua Portuguesa em Timor, uma experiência… O gratificante foi conhecer um pouco da Ásia e aprofundar o meu conhecimento sobre o ser humano. A vida e a Literatura são um espelho e este, pode resumir-se em três livros, como registou Jorge Luís Borges. Sei que nada é perfeito e que o meu fado é correr atrás da perfeição para logo esbarrar. Mas aprendi a lição de Sisífo e, quando no fundo do vale, também me inspiro em Anteu. Às vezes, pego uma asa de Ícaro e sigo para outras paragens inusitadas. Em 2015 fui para Timor, num projeto de cooperação portuguesa. Em dezembro de 2018 voltei, já todos os professores estavam descongelados, alguns em longas listas de espera insólita. Desde 2005 no 6º escalão, descobri que estou na lista no ao 7º no nº de ordem dois mil e tal… Um número. Vasculho os meus documentos de avaliação e descubro um excelente e vários muito bons. Entre 1.09.2007 e 31.08.2009 descubro um documento de avaliação com estas datas, assinado pelo diretor, com a avaliação de excelente. Mais tarde, prevenindo não sei o quê, em 2014, no 6º escalão, pedi aulas assistidas. Tive muito bom, avaliação que foi fechada num envelope e não foi concluída. Em 2018 abriram o envelope para vasculhar e ignoraram. Quando regressei de Timor, tinham concluído a minha avaliação com Bom. Explicaram-me que por causa dos percentis… O bónus de mestrado concluído com MB tem sido ignorado. Não me conformo com este processo injusto!… Não me conformo com o desenlace do sindicalismo em que confiei durante vinte e tal anos. Ainda não tive tempo para me dedicar à reclamação. E agora tenho ali provas de exame à minha espera. Entretanto, pacifico a minha revolta, dedicando-me à essência da profissão que um dia escolhi, com o piano a inspirar quem sou e que não cabe registo aqui.»

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