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A “Google confiança” de nossos jovens

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confiançaUm estudo da Northwestern University¹ dá conta de que estudantes do ensino superior tem apresentado o que chamo de ‘Google confiança’, isto é, se a máquina de busca do Google lista um link nos primeiros lugares, ele deve ser confiável.

Mas os estudantes parecem desconhecer que o Google não lista conteúdos em ordem de suas confiabilidades, mas por critérios outros, dentre eles o comercial.mafalda

Os estudantes da era digital se contentam com informações rápidas, sem se importar com procedência nem fidelidade. Eles definitivamente estão se condicionando a urgência e superficialidade e leituras em diagonal fazem o gosto geral. A verticalidade e profundidade deixa de ser vista como sinônimo de consistência para ser considerada redundante e repetitiva.

Isto nos leva a questão da crítica: a crítica neste sentido não tem a ver com gosto, tem a ver com questionar sobre procedência, veracidade e confiabilidade. Precisamos desenvolver em nossos estudantes a competência para aprender a pensar sobre conteúdos, interrogar-se, fazer o que se fazia antigamente: fichar textos e buscar conexões para sua aplicabilidade ou pertinência ao que se estuda. O professor precisa fazer com que eles sejam instigados a pensar sobre, e não simplesmente, consumir sem critérios. Nossa sociedade, embora consumista, considera questões outras além dos bens materiais, e é este pensar que precisa ser desenvolvido, a saber: produção de conhecimento e sua aplicação no mundo das coisas reais e uteis (profissional, individual, coletiva, etc).

Os jovens, em função da quantidade de informação a que são expostos, encaram uma realidade oposta à da qualidade. Eles, por lerem inadequadamente, tem dificuldade de comparar ideias e conceitos, quer por semelhança ou por diferença.

A solidez de um aluno deve, portanto, vir do aprofundamento que tem e que ele faz de suas áreas de concentração. A pesquisa se provará producente se souber elaborar as perguntas certas. O estudante tem que se valer do acúmulo de discussões e desenvolvimentos de suas áreas para saber quais autores trazem um debate à cena de sua área de atuação e deste “diálogo” deverá ser capaz de construir suas reflexões.

mãosA passividade ante a informação precisa ser combatida, mas discutida a fim de leva-los a inquietação produtora de novos questionamentos geradores de soluções de qualidade, com urgência e desde os anos iniciais da escolaridade, na mais tenra idade. O uso de ferramentas tecnológicas deve ser apoio a tarefa maior de pensar, questionar e produzir respostas a atuação do jovem no mundo real.

Alguém disse que não são as respostas, mas as perguntas que movem o mundo (acho que foi A. Einstein). De uma sociedade conectada estamos assistindo ao crescimento de jovens cada vez mais autocentrados e desligados (desumanizados) em dificuldades comunicacionais com aqueles que deveriam usufruir de suas presenças físicas.

É preciso mudar padrões e construções mentais no rumo correto e este papel é do professor. Não há ferramenta digital que substitua a autoconsciência do estudante na busca por seu autodesenvolvimento.

A busca por conhecimento é tarefa individual e intransferível. Não serão instituições que farão isso ao indivíduo. Ele é que terá que buscar, cavar e lapidar seu conhecimento usando ferramentas da educação hibrida.

(¹)http://www.northwestern.edu/newscenter/stories/2010/07/Google.html

Joseval Estigaribia

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