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A gestão das escolas e a abstenção eleitoral

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Quando se fala em acidentes rodoviários alguém vem dizer que a escola é o lugar ideal para se construir condutores com respeito pelos outros.

Quando se fala da obesidade alguém vem a correr dizer que a alimentação racional e o desporto devem ser implementados nas escolas.

Podia continuar a falar de temas onde se constata que na sociedade há pessoas com comportamentos incorretos social ou cientificamente, que alguém remete para a escola como um processo de longo prazo para resolver tais comportamentos.

Mas houve um tema que não foi remetido para a escola: a elevadíssima abstenção eleitoral. Dois estudantes universitários entrevistados na TVI na segunda-feira pós eleitoral, foram questionados sobre este tema e referiram que a escola não os preparou para o dever cívico de votarem, mesmo quando falaram de educação cívica. Mas para mim o mais estranho foi os entrevistadores (Pedro Pinto e MST) não lhes terem perguntado se era habitual no percurso escolar participarem na vida da escola! Particularmente MST que tem opiniões sobre a educação não questionou se a escola os fazia participar na condução dos destinos da organização.

Esta falta de acutilância profissional deriva a meu ver de uma «cegueira» ideológica: não quererem admitir que o gerencialismo (gerir a escola na lógica empresarial) na gestão das escolas em vigor, que se contrapôs a uma gestão democrática em que todos participavam na mesma, afastou muitos stockholders da gestão, aos professores foi limitado o poder e os alunos foram totalmente afastados da gestão, até nos órgãos consultivos.

O que podia ser uma prática que incentivasse os alunos a participarem na gestão dos problemas escolares e portanto, lhes criasse hábitos de participação na vida escolar, que depois seriam uma mais-valia para participarem na vida cívica, foi arredada da escola pelo centro e pela direita com o tipo de gestão em vigor.

Nem os jornalistas fizeram a pergunta que se impunha, nem o ministro da educação (ele gosta mais do desporto e foge quando há problemas na educação como a recuperação do tempo de serviço dos professores) que apareceu a comentar a situação não teve coragem de se referir à necessidade de se questionar a atual lei da gestão das escolas.

Concluindo a escola serve para resolver todos os problemas, quando surgem situações anormais, rapidamente alguém vem referir que a escola resolve, permitindo dizer que se atuou, mas os resultados virão só muito depois. Estranhamente, ou não, na questão da abstenção eleitoral, que é dramática, e que a escola poderá ajudar a resolver, alterando-se a lei da gestão, com participação mais efetiva dos alunos, parece que ninguém quer pôr a escola a contribuir para a resolução deste problema (!), pois, não lhes convém que se discuta se a escolha pela gestão empresarial das escolas foi a opção mais correta.

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