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A Flexibilização É Uma Farsa?

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Sim e não!

Sim, é uma farsa a partir do momento que os entraves estruturais são tantos que deixa de ser exequível tornar o ensino mais cooperativo ao nível da docência e o mais individualizado possível ao nível dos alunos.

Basta pensarmos no tamanho das turmas, da falta de condições ao nível das infraestruturas que impossibilitam um ensino que seja diferente do tradicional, com aulas maioritariamente expositivas, e sobretudo a falta de tempo que os professores têm para trabalharem em articulação.

Em outros países europeus, por exemplo em Itália, os professores dão aulas apenas da parte da manhã, tendo, no horário tempo para trabalharem na escola em articulação com os colegas.

A flexibilidade é limitada no ponto em que no mesmo texto colocamos a palavra exame.

Não, não é uma farsa porque de facto devemos fazer alguma coisa para “mudar” a escola, desconstruir preconceitos, acreditar que é possível chegar a mais alunos, adaptando, com maior assertividade curricular.

Concluindo, as escolas, infraestruturas, professores, alunos, comunidade, neste momento, não estão preparadas nem fisicamente nem psicologicamente para levar avante uma ideia que na sua essência é positiva, não disse, propositadamente, boa ou má devido à subjetividade destes dois conceitos!

Os professores estão desgastados, desmotivados e perante isto a tarefa torna-se impossível.

A flexibilização não pode ser decretada, deve ser trabalhada, de dentro das escolas para fora destas, tendo em conta cada uma das comunidades e seus discentes, as suas necessidades, respeitando o meio e ajustando ao perfil dos alunos.

Os alunos devem fazer parte da equação dando de si esforço, dedicação e até espírito de sacrifício, pois isso será fundamental para o sucesso de qualquer medida que se queira implementar nas escolas!

Aceitar o facilitismo será a desgraça comum!

P.S. – Antes de qualquer mudança que possam querer implementar, têm de devolver o clima de passividade às escolas, atacando seriamente o problema de cancro de que a escola pública padece, a indisciplina! Sem disciplina, sem respeito e sem relação pedagógica saudável, o processo de ensino-aprendizagem não acontece!

Não vale a pena pensar em mais nada sem tratar deste mal!

Alberto Veronesi

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6 COMENTÁRIOS

  1. Sem dúvida que uma das questões fundamentais a resolver é a indisciplina. Sem isso não vamos a lado nenhum , mas nesse campo não vejo nenhuma vontade política, bem pelo contrário…

  2. Alberto concordo com o que disse menos com a questão dos exames. Pode haver flexibilidade e exames. Vejamos o caso da Finlândia que apesar de funcionar num regime de flexibilidade (embora diferente) os alunos têm 4 duríssimos exames para terminarem o secundário e entrarem na Universidade (o secundário não é obrigatório). Sei do que estou a falar pois já estive em várias escolas da Finlândia. Portanto não concordo que a flexibilidade não é possível por causa dos exames. Não é possível e sim, é uma farsa pelos outros motivos que apontou e por mais alguns.Cumprimentos

    • Desconheço essa questão, mas acredito que até possam coabitar, exames e flexibilidade, mas cá ainda há muito caminho a fazer!

  3. Maria
    Há professores com nove e dez turmas e com três níveis para lecionar. Será a flexibilidade exequível
    nessas circunstâncias?

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