Home Editorial A Flexibilização Curricular a este ritmo tem os dias contados

A Flexibilização Curricular a este ritmo tem os dias contados

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Serei provavelmente dos poucos que publicamente tem defendido a flexibilização curricular, ou melhor, dos poucos que lhe tem dado o benefício da dúvida. As críticas surgem de todo o lado, e sei que alguns me atribuem o carimbo injusto de promover a política deste Ministério da Educação. Não foi por falta de aviso, desde aqueles que me apontam o dedo, aos que privam comigo, todos me disseram “cuidado Alexandre, se continuas assim vão dizer que estás a mando do ME”…

Para quem não sabe, ainda antes do aparecimento deste ME, eu era um crítico feroz da centralização do ensino em duas disciplinas (Português e Matemática), da dependência dos exames, da desvalorização das Expressões, dos contratos de associação, do excesso de burocracia, de um ensino que não dá autonomia aos professores para fugir a currículos desajustados e uma avaliação padrão que valoriza principalmente a memorização.

Foi com enorme agrado e muita esperança, que assisti neste últimos 2 anos, a uma inversão de discurso, sentindo que afinal alguma coisa poderia mudar.

Porém, não sou ceguinho, nem fundamentalista, nem sofro do mal de muitos que só estão bem em “malhar” em tudo o que é Ministro, Secretário de Estado, Diretor, Sindicato, Pais e Alunos. Até parece que fica mal elogiar os diferentes intervenientes que acabei de enunciar, não dá votos, não dá visualizações e o que interessa é estar sempre do lado confortável daqueles que nunca têm de decidir, de apresentar propostas e assim nunca se enganam…

Há que dar o benefício da dúvida e tentar ajustar algo que se é para manter, precisa efetivamente de ser ajustado. Na notícia da semana passada no jornal I, houve críticas severas à flexibilização curricular. Se eu fosse do clube do ME, sentia as dores como minhas, mas não as sinto, aliás, até acrescento 4 pecados capitais que a manterem-se vão condenar esta flexibilização a curto/médio prazo, a saber:

  • não existe um acordo dos principais partidos políticos sobre este assunto e tal como na escola, há uma fratura clara entre duas pedagogias, a pedagogia “romântica” e a pedagogia do “chicote”;
  • não foi reduzida a carga letiva dos professores, caiu-se no erro de tornar a flexibilização em mais papel, mais reuniões, sem dar as devidas contrapartidas;
  • ficou a ideia que flexibilizar é fazer projetos a torto e a direito, é espetáculo, é fusão constante de disciplinas, é esquecer os currículos;
  • faltou preparar e explicar muito bem ao corpo docente o que se pretendia com a flexibilização. Na escola, o que se diz de flexibilização é que flexibilizar é facilitar a vida aos meninos, é baixar o grau de exigência. Não é, não deveria ser, não pode ser.

A flexibilização nunca pode ser uma obrigação, mas sim uma abertura a promover as aprendizagens de uma outra forma, de forma a que os alunos com dificuldades aprendam com outra motivação e outro interesse, mas sem nunca esquecer que existe um currículo que deve e precisa de ser cumprido. Podemos fazer diferente com o mesmo objetivo e o mesmo grau de exigência, este é verdadeiro desafio e a principal dificuldade.

A flexibilização/autonomia não pode ser uma moda, nem uma reforma a prazo, deve ser algo encarado seriamente, sem estar dependente da cor política. Não podemos estar sempre no tudo ou nada, tem de existir um meio termo, e é preciso encontrar esse meio termo.

Caiu-se no erro de querer fazer muito em pouco tempo, e agora o preço vai ser pago, é que já se ouve falar que para o ano, quem quiser “saltar fora” da flexibilização pode fazê-lo e já não existem garantias que a flexibilização seja massificada.

Será a morte de algo que nasceu torto!

Para terminar, apenas como nota de rodapé e para aqueles que acham que só defendo este Ministério da Educação, fiquem a saber que sou um opositor a muitas das suas ideologias: a municipalização escolar; o atual regime de gestão; a passividade em colocar a Educação Física ao nível das restantes; a carga letiva elevada; a disparidade de horário entre os professores de 1º ciclo e restantes ciclos; a falta de funcionários; a falta de condições das escolas; a falta de uma política eficaz no combate à indisciplina; a desvalorização da carreira docente; e o jogo de palavras que tem sido evidente nos últimos tempos.

Eu não defendo o Ministério da Educação, nem a flexibilização curricular, eu defendo aquilo que na minha opinião é benéfico para a escola. Nada mais, nada menos…

Alexandre Henriques

Reforma curricular gera anticorpos nos pais

(Jornal I – Ana Petronilho)

Pais estão com receio de que alunos que frequentam turmas com a flexibilidade curricular não trabalhem em aula as matérias necessárias para terem sucesso nos exames nacionais. Passados seis meses da implementação da reforma, por agora em projeto-piloto, professores e pais tecem várias críticas.

P.S – Para os pais que estão com este receio, leiam isto… O que sai e não sai nos Exames deste ano

 

3 COMMENTS

  1. Se procurar deve lembrar-se sobre um passarinho… que tinha dito um segredo… e você disse que sabia um segredo maior… que lhe segredou um passarão… Sobre a generalização, ou não , da Flexibilidade Curricular… Você apostou tudo no consultor da OCDE, e atual Secretário de Estado, João Costa,… Eu, modéstia à parte, apostei, e aposto tudo, no raposa política que é o outro Costa… É fácil fazer certas contas quando os valores estão bem à vista, na mesa….
    Pois nestas guerra de penas eu acho que o meu passarinho cantou melhor… Ainda lhe vou dar outra nota: eleições a bater na porta… Qual a ave canora que irá piar??? A dos votos, respondo eu…

  2. Não lembra ao diabo esta ideia de colocar contratos de associação no mesmo patamar da centralização do ensino no PT e MAT ou excessiva dependência dos exames, por exemplo.

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