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A falta que a família faz

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Mário Balsa

O Governo inscreveu nas Grandes Opções do Plano para 2016-2019 a redução da carga disciplinar para os alunos do ensino básico. Este é um tema que tem pontos de reflexão diversos e que permitem enquadrar a questão de forma variada.

Por um lado, podemos abordar o tema colocando o enfoque na criança. Aliás aquele que me parece ser o ângulo correto para o fazer. A escola existe, no meu entendimento, para servir e preparar as crianças e jovens o melhor possível para o amanhã. Mas esse ângulo já está perfeitamente enquadrado num artigo com o qual concordo na íntegra e que pode ser lido aqui.

Por outro, podemos olhar para a redução da carga letiva pelos olhos dos pais e das famílias. E das dúvidas que esta redução pode levantar: Se o meu filho não tem tantas aulas onde é que o vou pôr? Como é que os meus filhos vão passar tantas horas sozinhos? Eu não posso faltar ao trabalho para estar a tomar conta dele! São apenas algumas questões que surgem no imediato.

Recentemente, em conversa com um amigo com responsabilidades autárquicas na área da educação, discutíamos a redução da carga horária nas escolas, o que é um pouco diferente da redução da carga disciplinar, e a primeira coisa que me disse foi: “Já pensaste no impacto que essa medida teria na organização das famílias portuguesas?

Eu compreendo estas e outras preocupações que as famílias colocam, mas não posso deixar de afirmar que a componente letiva deve ser devidamente ajustada à evolução da criança e respeitar as suas necessidades. Um aluno do 3º ano do 1º ciclo, com a introdução do inglês na componente disciplinar, é sujeito a 27h semanais enquanto um estudante do 12º ano tem 23h de carga letiva.

O acompanhamento das crianças deve ser feito, em espaço escolar ou não, de forma a permitir uma boa articulação com os horários de trabalho das famílias. Para tal existem inúmeras ferramentas a que podemos recorrer e que permitem perpetuar a permanência da criança na escola até à exaustão. Por exemplo: as Atividades de Enriquecimento Curricular (AECs), as Atividades de Animação e Apoio à Família (AAAF), a Componente de Apoio à Família (CAF), os ATL, etc.. Mas não nos podemos nunca abstrair dos malefícios de a criança não estar com a família, de pedirmos que a escola para além de ensinar também eduque.

Quando andava no 1º ciclo lembro-me do meu pai estar a conversar com a professora e dizer-lhe algo deste género: Ensine o meu filho pois eu não o consigo fazer tão bem como a professora, mas não se preocupe que eu trato da sua educação.

Consulte aqui a notícia sobre a redução da carga disciplinar:

GOP2016: Alunos do ensino básico terão menos carga disciplinar

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