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A Fada Madrinha Da Prova de Aferição!

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Como tantos outros professores nesta altura do ano letivo, fui um dos selecionados para classificar as Provas de Aferição de Matemática e Estudo do Meio do 2.º ano.

Na passada 6.ª feira fui buscá-las ao agrupamento, ontem recebi os códigos de acesso à moderníssima plataforma do Iave e  comecei a classificar!

Fui premiado com 40 provas, de duas escolas diferentes. Não é a primeira vez que o meu nome sai da tômbola, aliás, é quase certo que, estando a trabalhar em anual e completo, o meu nome será sorteado…enfim…sorteio é sorteio e sorte é sorte.

Ontem, quando comecei a classificar, deparei-me com algo curioso, muitas provas, da mesma escola, vinham rasuradas nos mesmos exercícios e, coincidência, depois de rasurados os exercícios inicialmente errados e com raciocínios “estranhos”, passavam a certos com raciocínio quase igual ao do critério, fazendo parecer magia de uma fada madrinha!

Eu não condeno os professores que “ajudam”, que tentam levar os alunos às respostas, mesmo que em situação de prova. Conhecendo-os e sabendo que em situação, não tão formal, seriam capazes, é impensável deixá-los escorregar sem que lhes deem a mão!

Não se trata disso, da ajuda, trata-se que, ao fazerem-no na prova de aferição com medo que a “chefia”, seja privada ou pública, os avalie apenas por aquela prova ridícula, estão a entrar no jogo do ME!

Será que não estarão a assumir que de facto aquela prova os pode avaliar? Será que não estarão a atribuir-lhe legitimidade para avaliarem os nossos alunos?

Se mostrarem que, gostem ou não, aquela prova vai servir para os avaliar, mesmo depois de todos os entendidos terem criticado fortemente a forma e o conteúdo das mesmas, estão a pôr-se a jeito!

Todos nós sabemos o que trabalhámos e o que nos dedicámos a cada um dos nossos alunos ao longo do ano. Sabemos o que cada um deles é capaz de fazer naturalmente.

Sabemos onde cada um deles tem as suas fraquezas e pontos fortes e digo-vos que a Prova de Aferição, para mim, significa zero, com ela consigo aferir zero!

Significa zero, por tudo o que já foi dito, por outros,  em variadíssimos artigos.

Para mim, se não tivesses esse significado, estaria a acreditar que com ela se pode aferir seja lá o que for, seja conhecimento dos alunos seja de profissionalismo e competência dos professores!

Por isso, caríssimos colegas, em situação de provas de “aferição”(entre aspas porque duvido que afira) o que aconselho a fazer é descontrair…foi o que fiz, antes e durante, porque agora fiquei sem tempo por ter de as classificar!

Manuel Ferreira

 

8 COMMENTS

  1. Eu não tenho complacências para uma coisa chamada fraude, que deveria ser denunciada. Depois vêm-nos falar em Cidadania, quando é gente da nossa profissão a introduzir os miúdos no mundo da cunha e da corrupçãozinha.

    Essa postura desses professores é vergonhosa e deveria ser denunciada. A coisa pode não ter valor nenhum, mas sejamos sérios.

    • Absolutamente de acordo!
      Falta de profissionalismo, falta de ética, falta de honestidade! – Vergonhoso! Quando não se concorda com algo há sempre uma forma honesta e vertical de o manifestar!
      A coisa não tem valor nenhum e custa dinheiro aos contribuintes ( entre eles, eu) directa e indirectamente! Quais terão sido os custos directos ( elaboração, impressão, preparação, envelopes,…, transporte e distribuição, policiamento na entrega, recolhe, devolução,… até à entrega final, manutenção de plataformas, aquisição de complementos,…. – para a inutilidade há dinheiro… e, sem contar com os custos indirectos… up, Upa…

  2. É inadmissível, mesmo que eu pessoalmente não concorde com as provas de aferição para miúdos de tão tenra idade, que um professor ajude os alunos a resolver uma prova: é proibido; vicia o sistema; é de uma injustiça enorme para aqueles que não o fazem; é profundamente egoísta!

  3. É muito triste ver um texto destes publicado aqui! Se tem alguma coisa a dizer remete ao secretariado de exames ou fique calado. É por isso que a nossa classe está tão mal vista, somos nós próprios que falamos mal dos colegas. Vergonha!!!

  4. Quem procede te tal modo não está ajudar os alunos mas a prejudicá- los, e desrespeitar princípios deontológicos básicos. Além do mais viola a Lei do Estado de Direito. Não é assim que se devem comportar professores. A ética não se ensina só aos alunos!!!

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