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A experiência é igual a quê?

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Há pouco tempo, deparei-me com uma imagem cómica de uma página do facebook intitulada “Bored Teachers”, onde facilmente qualquer professor poderá encontrar uma equivalência cómica a um momento diário da sua profissão.

A imagem intitulada “A minha cara quando um “administrador” com zero experiência de ensino tenta dizer-me como é que eu devo ensinar”, é o mote para o texto que quero escrever interpretando-a, naturalmente, como uma metáfora.

Recordo, e recordarei para sempre, uma frase que o meu primeiro Coordenador de Educação Especial me disse, nos anos iniciais do meu trabalho: “Não deixes, que por seres nova, te digam ou achem que és inexperiente ou tens menos competência e não te respeitem. O conhecimento não está só na idade porque se a experiência foi perpetuarem um erro ao longo do tempo, essa experiência não serve de nada”.

Cedo apercebi-me do que quis o meu Coordenador dizer. O ar maternalista ou paternalista com que alguns colegas lidavam comigo chegava a ser constrangedor. Frases como “esse trabalho é para o contratados, não te preocupes com isso” não ajudavam a criar um ambiente de equipa e respeito. Com o tempo aprendi a impor-me e a impor o meu lugar. É sempre mais difícil para quem começa, mas infelizmente necessário. Impor limites, estabelecer barreiras sem desrespeitar e sem quebrar. Emocionalmente é um turbilhão, mas repito, necessário.

Recordo-me também de ouvir muitas vezes: “Nunca digas que não sabes” porque o não saber no imediato parece ter-se transformado numa imagem de fracasso.  A teoria de que o conhecimento é uma construção e que não fica retido num determinado tempo ou espaço nem numa determinada profissão é recorrentemente deitada por terra quando queremos respostas imediatas.

Parece existir um certo poder em não assumir fragilidades, erros, falhas ou incertezas. A máscara da parede inabalável protege-nos e cria distâncias de segurança. No entanto, embora por vezes necessárias, não nos tornam reais nem humanos. Tenho a forte convicção de que a verdadeira segurança e auto-conhecimento reside em ser genuíno. É esta genuinidade (não confundir com ingenuidade) que nos permite criar empatia, porque é real. E é na empatia que se inicia o processo de relação e de conhecimento.

Hoje em dia reconheço a cara da imagem e o mesmo pensamento. Quando temos confiança no nosso trabalho, percepção das nossas capacidades e fragilidades, torna-se mais difícil aceitar críticas de alguém cheio de propriedade que desconhece a realidade ou o nosso trabalho.

 

1 COMMENT

  1. A experiência é fruto de muita asneira. Aprende-se com o conhecimento que se vai adquirindo nas diferentes áreas, mas os erros que cometemos, fruto da imaturidade ou da falta de consistência do que é apreendido, servem para mais tarde tornarmos consciência que para além do apreendido é preciso exercitá-lo. Isto não implica que sempre nos empenhemos para que no início de qualquer trabalho, tenha que demonstrar que se é inexperiente.

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