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A estória do tempo de serviço dos professores contada em chocolates

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A secretária Leitão colocou no Jornal Público uma nota de propaganda travestida de artigo de opinião para tentar justificar o injustificável.

Factos sobre a recuperação do tempo de serviço dos professores

Como é hábito, esta extensa prosa vem pejada de enganos e incorreções.

Vou procurar repor a verdade contando uma estória.

A estória do tempo de serviço dos professores contada em chocolates

– Imaginemos uma secretária de estado com duas filhas. Como a secretária de estado não faz 400Km por dia, como os professores, tem muito tempo livre para apoiar as filhas na escola e no final do ano estas obtiveram boas notas.

– A sra. secretária decide então premiar as suas duas filhas com chocolates. À mais velha oferece uma tablete de chocolate de 100g e à mais nova oferece 10 bombons de 10 g cada um (nota: cada uma recebeu 100g de chocolate).

– As duas meninas estavam felizes, mas a sra. secretária quando vê as filhas a abrir as embalagens para comer, diz: – alto, que eu também quero provar!

– Então a sra. secretária diz à filha mais velha: só podes ficar com 70% da tua tablete e ela prontamente parte a tablete, ficando com 70g de chocolate e dá-lhe os restantes 30%, ou seja 30 g de chocolate. De seguida diz à filha mais nova só podes ficar com 70% de um dos teus bombons e ela prontamente parte um bombom ficando com 7g de chocolate, entregando à mãe os restantes 30% do bombom partido e ainda os outros 9 bombons, ou seja 93g de chocolate.

– Quando a filha mais nova olha para as mãos da irmã vê 70g de chocolate e quando olha para as suas vê apenas 7g de chocolate… e diz à mãe: – assim não é justo porque a minha irmã ficou com mais chocolate do que eu!

– Não, não – diz a sra. secretária, a mastigar chocolate – a tua irmã ficou com 70% do chocolate dela (70g da tablete de 100g) e tu ficaste também com 70% de um chocolate (7g de um bombom de 10g de um total de 10 bombons com 100g).

– Responde a filha: mas a minha irmã ficou com 70g de chocolate de chocolate e eu apenas com 7g…

– A sra secretária diz então à filha “foi 70% para uma e 70% para a outra, está tudo dito, assim foi cumprida a necessária equidade e tratamento justo e proporcional entre as duas.

– A filha mais nova não aceitando a resposta da mãe decidiu entrar em greve.

Quem tem razão? A sra. secretária ou a filha mais nova?

Este problema vai ser enviado a todas as Faculdades de Direito do País como proposta de exame final de curso, nomeadamente para aquelas que pensam vir a ser juristas.

Tenho esperança que esta pequena estória seja esclarecedora para que as mentes que nos (des)governam e a comunicação social compreendam o que está a acontecer com o tempo de serviço dos professores.

Relativamente a alguns articulistas, ou comentadeiros da nossa praça e ainda a confap, infelizmente, não tenho grande esperança de que vão entender.

Para esses encontro-me a preparar uma banda desenhada que irei apresentar a breve prazo.

Sr. Prof. Zé

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5 COMENTÁRIOS

  1. Desde que começaram as comparações entre a carreira geral de técnico superior e a de professor do ensino básico/secundário, parece que ninguém se entende. Já tentei esclarecer-me, comparando tabelas salariais disponíveis na internet, mas continuo muito pouco esclarecido. Em especial ao ler aqui que a carreira de técnico superior tem 4 escalões, quando nas tabelas salariais me aparecem 14 escalões. Ainda na carreira de técnico superior, faz-me confusão a progressão de escalão na base de 10 anos por escalão, o que quer dizer que um técnico superior estaria a entrar para o 3º escalão (de 14) ao fim de 20 anos de serviço, ao passo que um professor estaria no 6º (de 10) (sem a brincadeirinha do funil). É que isto de sermos acusados de tudo está novamente na moda e eu gostava de poder rebater com dados que os meus olhos viram em vez de comentários alheios. Toda a gente sabe que somos uma classe privilegiada – talvez a mais de todas – e invejada, sendo um facto que se pode constatar facilmente todos os anos (desde há décadas) aquando do acesso ao ensino superior, a avaliar pelos alunos que entram em medicinas e engenharias em segunda opção, coitados, depois de lhes ser vedada a entrada em cursos de ensino por esgotamento de vagas… ufff…

    • A ideia subjacente ao seu comentário de que “medicina é um curso e o resto são recursos ou de que vais para direito ou vais para medicina”, pertence ao tempo da maria cachucha, é um snobismo que já não se usa e desmerece o seu comentário. É sem desdém, mas com muita benevolência repetida que muitas vezes desisto de explicar às sumidades que identifica como referência, coisas que são evidentes para outros. Existe uma coisa chamada Teoria das Inteligências Múltiplas, sabia? uns têm talento para umas coisas outros para outras. A lei de mercado da oferta e da procura no mundo do trabalho, que regula os rendimentos por categoria profissional, não determina a qualidade intelectual (nem moral) de um grupo profissional.
      Mede-se o nível de desenvolvimento de uma sociedade pelo reconhecimento e respeito que demonstra pela cultura e pela educação, mas há 40 anos atrás Portugal era o país com a mais alta taxa de analfabetismo da Europa e isso vai demorar muitas gerações a mudar.
      Não reconhecer a nobreza da arte de ensinar é não reconhecer o valor de ter aprendido, é julgar que se fez sozinho, é como não retribuir o amor da mãe.

      • Excelente resposta, Maria Silva! Não o teria dito melhor e nem tenho já nem a paciência nem a benevolência para explicar tais coisas. Agora, limito-me a convidar os energúmenos a substituírem-me durante 2 semanas, apenas… só 2 semanitas e acredito que iriam meter a viola no saco!

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