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A escola vítima da propaganda

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Manter as escolas abertas, todas as escolas, é uma decisão muito sensata do governo. As direções das escolas fizeram, aliás, um trabalho notável para garantir as melhores condições de segurança neste ano letivo. Ninguém duvida que o risco no interior das escolas é mínimo, como ninguém tem dúvidas de que há um problema de comportamento dos jovens fora das escolas, mas isso só vem confirmar que a escola tem de continuar aberta, para ensinar e para permitir o convívio social. Fora da escola, os jovens estão obrigados ao mesmo confinamento de toda a gente. A melhor decisão, a única que acautela o direito das crianças e jovens a uma educação que não lhes hipoteque uma parte do futuro, é manter as escolas abertas.

Nada gera uma desigualdade tão grande como uma escola que expulsa cada um para o seu mundo, e bem sabemos como são mundos diferentes, mas para manter o mínimo de igualdade de oportunidades é preciso que todos alunos tenham também acesso a computador e internet, não apenas para ensino à distância, se ele tiver de voltar, mas como instrumento essencial de trabalho.

Anúncios feitos em abril do ano passado de que todos, mais de um milhão, iam ter esse computador no inicio do ano letivo nada acrescenta, porque nem um computador chegou nessa altura. Nem os 100 mil que acabaram por chegar em novembro, poucos para os 300 mil carenciados. E o anúncio que vão chegar brevemente mais uns milhares de computadores é de novo propaganda, como é propaganda o anúncio de que vai haver testes rápidos na escola. Outro anúncio que já tinha sido feito e os testes não chegaram, porque havíamos de acreditar que vão chegar agora?

As escolas abertas são uma necessidade absoluta, mas a escola e os seus profissionais precisam de ser protegidos e isso não se consegue com promessas que não são cumpridas ou são cumpridas aos soluços e nunca por inteiro.

Paulo Baldaia

Fonte: TSF

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