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A escola segrega o povo cigano?

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Não gosto quando se quer mostrar apenas uma realidade esquecendo que a realidade tem muito mais do que o que se quer mostrar. Não somos parvos, nem ceguinhos e constatamos o que todos constatam. Alguns preferem defender a sua “dama” por princípios, por ideologias, ou para provar um ponto de vista, mas não nos atirem areia para os olhos…

Recentemente houve duas situações graves nas escolas que envolveram o povo cigano e que a comunicação social (a maioria) optou por ignorar. Curioso como facilmente dizem que um professor roubou, bateu, ou outra coisa qualquer, mesmo que estejamos a falar do cidadão e não do professor, mas quando se trata de dizer que um cigano entrou numa escola e matou outro, ou que um cigano entrou numa escola e bateu num assistente operacional, nada se diz, com medo que lhes apontem o dedo que sejam catalogados como preconceituosos, entre outras coisas.

Hoje numa entrevista ao Público, Maria José Casa-Nova, a nova coordenadora do Observatório das Comunidades Ciganas disse o seguinte:

A escola não é o sítio onde isso não acontece?
Era suposto. A escola é por excelência o sítio de convivência de todas as diferenças. Sendo obrigatória, gratuita, universal, todos se encontram nela. Agora, uma coisa é uma escola onde a interacção de facto acontece de forma igualitária e outra coisa é uma escola onde se encontra uma espécie de mosaicos. No recreio, estão os ciganos num lado e os não-ciganos noutro. Já vi realidades muito interessantes e distintas. Já ouvi crianças não ciganas a dizer: “Não brinco contigo porque és cigano.” Mas também já ouvi crianças não-ciganas a dizer: “Vou brincar aqui contigo, lá fora os meus pais não deixam.” As próprias crianças interiorizam de forma diferente o que vão aprendendo.

O que é que as escolas têm de fazer para promover maior contacto intercultural nos recreios?
Num primeiro plano, seria importante que as escolas, ao nível dos seus projectos educativos, tivessem plasmados determinado tipo de princípios, nomeadamente a igualdade, a solidariedade, a interculturaidade, a democraticidade, a não discriminação, os direitos humanos. Depois, ter um corpo docente consciente do que estes princípios implicam do ponto de vista da sua aplicação no quotidiano escolar. Havendo esta consciencialização, seria importante que as práticas pedagógicas ao nível da sala de aula promovessem o trabalho de grupo, colocando em interacção alunos e alunas da diversidade de proveniências socioculturais que espelhasse a realidade da sala de aula. Esta interculturalidade ao nível da sala de aula, seria promotora de redes de sociabilidade interculturais ao nível do espaço extra sala de aula, que poderia ser potenciado com a organização de jogos colectivos que apelassem aos princípios plasmados nos projectos educativos, concretizando-os.

Esta senhora ou não conhece a realidade ou ignora-a, para não dizer outra coisa… O que eu vi ainda num passado muito recente, foi os próprios alunos de etnia afastarem-se em grupo, atuarem em grupo, para o bem e para o mal. Quando as crianças mais novas dizem que têm medo dos ciganos, quando os pais dizem que os ciganos não prestam, não se trata apenas de preconceito, trata-se de uma constatação de algo que aconteceu/acontece e provoca esse receio. Quando um povo alega os seus direitos e esquece muitos dos seus deveres, tratando os outros como a minoria que tem que se sujeitar à sua maneira de ser, não me venham dizer que é correto, ou que tem de ser assim. A minoria é que tem de se ajustar à maioria, isto se quer fazer parte dela e não ter a postura do subsídio dependência…

Digo aos meus alunos e à minha filha, que todos têm qualidades e defeitos, sejam de etnia ou não, que não devemos catalogar ninguém, independentemente do seu aspeto, raça, ou outra coisa qualquer. Agora, não me venham dizer que são todos uns coitadinhos e uns abandonados, quando muitos deles optam por vestir essa pele e quando têm em casa grandes televisões, telemóveis topo de gama e Mercedes à porta.

Todos sabemos que ninguém entra na maioria dos bairros de ciganos com se entrassem numa rua normal, o problema é de quem? De quem vem de fora ou de quem lá está?

Todos sabemos que em várias escolas existem mediadores para os alunos de etnia, e se existem é por algum motivo…

Conheci pais ciganos impecáveis, alunos ciganos espetaculares, e é verdade que ambas as partes fizeram um grande trabalho nos últimos anos, mas o mérito está de ambos os lados e não aceito o carimbo que a escola segrega quem quer que seja. Com todas as letras digo que isso é MENTIRA!

Os alunos e o povo cigano são vítimas, sim, mas exploram ao máximo o preconceito existente, sendo culpados pela sua própria exclusão.

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