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A Escola Prisão do Séc. XXI (Inclui resultados do inquérito sobre aulas de substituição e intervalos nas sala de aula)

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Maria de Lurdes Rodrigues, nome que marcou toda uma geração de professores, foi a autora de um conceito que tanta celeuma criou na comunidade escolar, as intituladas aulas de substituição. Chamar aquilo de aula foi um insulto ao conceito de aula, nada mais foi que a ocupação de tempos mortos, uma prisão para alunos e professores sem qualquer tipo de ligação, essencial para o processo de ensino e aprendizagem. As aulas de substituição foram um potenciador de indisciplina, um modelo teórico que nunca funcionou na prática.

Em pleno ano 2020, o fantasma de Maria de Lurdes Rodrigues regressou trazendo de volta o mesmo conceito, mas desta vez ao abrigo da pandemia. Várias escolas estão a implementar aulas de substituição agregando, ou não, um novo modelo de mentorias criado este ano pelo Ministério da Educação.
Todos já percebemos que o objetivo principal é manter os alunos “controlados” e “confinados”, mas o “bicho” que mudou o mundo não quer saber nada disso, ataca onde quer atacar sem piedade e sem receios.

Mas a criatividade do Ministério da Educação e seus súbditos diretores que até prova em contrário estão confortáveis com este conceito, estendeu-se também à limitação dos intervalos, tirando aquilo que provavelmente faz mais felizes os alunos, o convívio entre eles.

Alguns poderão dizer que estou a ser profundamente injusto, por isso dou de barato que estas primeiras semanas seja uma fase de teste, pois as dúvidas são efetivamente muitas e só na prática podemos constatar a reação dos alunos.

Justifica-se por isso a publicação deste artigo, para servir de mote a uma reflexão e consequentes ajustamentos. Pois bem, na minha humilde opinião, 2 semanas bastaram para afirmar que é um erro manter aulas de substituição bem como a limitação dos intervalos dos alunos. O motivo é simples, o interior das salas de aula NÃO GARANTEM e até POTENCIAM a transmissão do vírus, ora vejamos:

  • o espaço é reduzido;
  • o arejamento das salas nem sempre é feito e quando for inverno ninguém vai querer ter aulas de janelas abertas;
  • há alunos que tiram as máscaras durante as aulas, alguns de forma regular justificando-se com o beber de água;
  • durante os intervalos, são vários os casos de alunos que permanecem nas salas, sem qualquer tipo de vigilância, tirando máscaras para se alimentar ou por estarem saturados da dita, saindo inclusive do seu lugar formando os proibidos ajuntamentos;
  • muitas salas de aula comportam atualmente mais de 25 alunos, algumas têm mesmo 30 ou mais alunos, logo o distanciamento social, simplesmente não existe.

Não sou médico ou cientista, sou um mero professor que partilha convosco aquilo que vai ouvindo e vendo. Mas julgo que não é preciso ter um doutoramento em medicina para perceber que no espaço exterior, a probabilidade de contágio diminui, mesmo para os prevaricadores que tiram a máscara. Logo, o conceito de ficar dentro da sala de aula, seja para “aulas” de substituição, ou de “castigo” nos intervalos, cai por terra por esta tão simples e elementar evidência.

Alexandre, mas é mais difícil controlar os alunos lá fora…

Será? É mais difícil controlar os alunos lá fora do que mantê-los dentro de uma sala sem vigilância? E se o problema é a falta de vigilância, então que se bata o pé, os diretores que tomem uma iniciativa conjunta ameaçando mesmo com a sua demissão, tal como as chefias dos hospitais fazem quando as condições mínimas não existem. Já chega de queixas sobre a falta de funcionários, tomem UMA POSIÇÃO consertada, a bem da Escola Pública!

O pico do contágio ainda não chegou, e se não ligaram nenhuma ao conceito de ensino misto, em vez de avançarem de cabeça para o ensino presencial, talvez fosse pertinente, enquanto ainda é possível, mudar procedimentos internos, reduzindo o tempo de permanência em espaços fechados.

A escola não é uma prisão, nem pode ser uma prisão, muito menos quando tanto se fala em inclusão e escola do século XXI, mas começa a ter semelhanças preocupantes que seguramente vão diminuir (ainda mais) o gosto dos alunos pela escola. Lembro que só passaram 2 semanas de aulas e temos um longo e penoso ano pela frente…

Cada escola fará certamente o que achar melhor para os seus alunos, compreendo que uma escola com 300 alunos seja diferente de uma escola com 2000 alunos, e também temos de ter em consideração a dimensão do espaço exterior de cada escola… Cada caso é um caso, sim, mas se me permitem, tenham em consideração o que foi referido.

Ficam os resultados do inquérito realizado e que foi respondido por 1485 pessoas. Os resultados falam por si!

Alexandre Henriques

1 COMMENT

  1. Se antes da pandemia se via e fazia muita coisa errada,agora com o pretexto dessa mesma pandemia a prepotência instalou-se e cada vez temos mais dificuldade em conseguir chegar ao caminho mais correto,pois as “pedras” que encontramos são cada vez mais e maiores…infelizmente!

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