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A escola não faz milagres – Pedro Ivo Carvalho

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1. No título que encima este texto podíamos trocar escola por fábrica, escritório, supermercado ou por outro lugar do nosso quotidiano. As escolas operam milagres na formação dos indivíduos, mas não esperemos que se transformem em territórios imunes à pandemia por obra e graça divina. Porque isso não existe. E talvez esse seja o maior equívoco do debate público dos últimos dias. O de pensarmos que, por não haver garantias de que tudo vai correr bem no regresso às aulas, o mais provável é que tudo corra mal. Ora, a realidade tem demonstrado com apreciável clareza que a gestão do risco não se coaduna com maniqueísmos. Mário Nogueira tem sido um dos principais instigadores do medo. Mais parece que, para o líder da Fenprof, o retomar da atividade letiva é um filme de terror onde só coabitam, nas mesmas salas contaminadas, professores de risco que não podem dar aulas e o malfadado vírus. A verdade é que as crianças querem regressar, os pais concordam, as escolas prepararam-se da melhor maneira possível, tal como a esmagadora maioria dos professores, e isso é que devemos ressalvar. Não se espere que a comunidade educativa faça milagres se depois o resto do país não cumprir a sua parte. O esforço nunca deixou de ser coletivo. Nas escolas, nas fábricas, nos supermercados. Em casa. Continuamos todos a aprender.

2. Quem parece não ter aprendido nada é o primeiro-ministro. O António Costa do “à política o que é da política, à justiça o que é da justiça”, é o mesmo António Costa que decide agora apoiar um candidato à presidência de um clube de futebol envolvido em vários processos judiciais. O António Costa que deu um puxão de orelhas aos seus ministros, lembrando-lhes que nem à mesa do café devem esquecer-se dessa condição pública e política, é o mesmo que é capaz de esquecer-se de que não é por ser sócio e adepto do Benfica que deixa de ser primeiro-ministro. Negligenciando, por acréscimo, que o apoio a Luís Filipe Vieira atenta, desde logo, contra o código de conduta criado pelo seu Governo. Mas, enfim, à lógica o que é da lógica, à impunidade o que é da impunidade. Seja o emblema vermelho, azul ou verde, todos sabemos como terminam estas histórias: promiscuidade a mais, probidade a menos. Nisto, Rui Rio pode estar orgulhoso da sua longa solidão.

*Diretor-adjunto

Fonte: JN

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