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“A Escola É Cena Que Não Me Assiste!”

Pensar a escola na e com a escola…

É necessário ensinar os alunos a pensar e a refletir sobre os problemas atuais, preparando-os para uma cidadania plena e ensinando-os a encontrar soluções para os diversos problemas com que se irão deparar quer no seu processo formativo, quer quando forem inseridos no mercado do trabalho. Mas, para que isto possa acontecer, os professores tem de estar familiarizados com os diferentes desafios/problemas bem como com diferentes perspetivas sobre os mesmos e eventuais soluções a implementar. Ora, isto só será possível se existirem processos de formação contínua que proporcionem momentos de reflexão, investigação e discussão para e sobre as diversas problemáticas atuais, uma formação que estimule a criatividade e inovação e prepare os professores para a ação/participação. Os processos de formação dos docentes devem partir de dentro das escolas, isto é, os diferentes órgãos devem perceber quais são as necessidades de formação do pessoal docente e não docente e, posteriormente, em articulação com os centros de formação e com as instituições do ensino superior, devem proporcionar aos docentes momentos de formação que sejam realmente formativos. Uma das áreas em que, certamente, se torna mais necessária esta formação é na área da gestão de comportamentos em sala de aula. Os professores afirmam, constantemente, que os alunos estão cada vez mais indisciplinados, e que isso impede a sua aprendizagem, por outro lado temos cada vez mais alunos que afirmam: A escola é cena que não me assiste!

Os professores querem ensinar e muitos alunos não querem estar na escola! Como lidar com estas diferenças de interesses?! A receita para trazer estes alunos, novamente, para a escola passa por aceitar as diferenças do outro, envolver-se, criar elos com os alunos e os seus pais, estabelecer relações interpessoais de elevada qualidade, acarinhar, ouvir e conversar, tudo isto nas seguintes doses q.b. A maioria dos alunos não são, normalmente, problemáticos, são é diferentes! E os professores tem de estar preparados para lidar com estas diferenças e até tirar proveito das mesmas. Os órgãos da escola têm um papel muito importante, o de criar ambientes escolares agradáveis, quer pedagógica, quer física e emocionalmente. Torna-se assim necessário pensar a escola de outra maneira!

A escola dos processos de promoção de igualdade tornou-se uma falácia, uma mentira. Ensinar tudo a todos, como se de um só se tratasse não pode, de forma alguma, ser o objetivo da escola pois isto não funciona. Um aluno que aprende mais devagar pode ser uma excelente oportunidade para a “sala inteira” pensar como o pode ajudar. Urge romper com a relação competitiva e aceitar a colaboração e a cooperação como algo central e essencial. Lembremo-nos que toda a aprendizagem é pessoal, mas ninguém aprende sozinho.

Um dos problemas com que a escola se vai deparar a curto prazo é a falta de alunos. Contudo, este problema pode tornar-se uma oportunidade as escolas tiverem uma atitude reflexiva e fizerem um planeamento concertado. A diminuição de alunos pode tornar-se uma uma oportunidade e não uma fatalidade se os Agrupamentos demonstrarem capacidade de planeamento, organização, inovação e criatividade e aproveitarem esta diminuição de alunos para criar ambientes de aprendizagem mais favoráveis, desenvolver culturas docentes colaborativas e melhorarem as suas práticas de ensino.

Apesar da necessidade, sentida e percebida por todos, de mudar a escola, de cativar os alunos, de criar laços e relações mais fortes, de desenvolver ambientes de aprendizagem favoráveis e de toda esta ânsia de melhoria, temos tantos constrangimentos que nem temos tempo nem lugar para conversar! Todos os espaços estão exauridos com atividades! É urgente libertar os docentes do excessivo trabalho burocrático a que estão sujeitos e que os desgasta e dar-lhes tempo para, verdadeiramente, ensinar. Os professores tem de se preparar para a construção da escola do futuro que, como refere Canário (2003) deverá orientar-se por três finalidades fundamentais: “a de construir uma escola onde se aprenda pelo trabalho e não para o trabalho (…) a de fazer da escola um sítio onde se desenvolva e estimule o gosto pelo acto intelectual de aprender (…) e  a de transformar a escola num sítio em que se ganha gosto pela políticaisto é, onde se vive a democracia, onde se aprende a ser intolerante com as injustiças e a exercer o direito à palavra, usando-a para pensar o mundo e nele intervir.”

Não podemos “deixar ninguém para trás”. A escola tem de garantir que todos os alunos têm sucesso.  Mas, se é certo que os alunos frequentam a escola para aprender, também é verdade que  os  seus  ritmos  e  estilos  de  aprendizagem  são  distintos  e,  algumas  vezes,  estas  características  limitam  aprendizagens, e por isso é exigido às escolas  que se tornem, cada vez mais, inclusivas. Nesta escola de todos, para todos e com todos, as diferenças são oportunidades para promover o desenvolvimento integral de todos.  A vida nas escolas é feita de saberes e ignorâncias, de razões e emoções, de aprender e ensinar, de dever e de prazer, de sucessos e insucessos, de igualdades e de diferenças. Saber lidar com estas diferenças e conduzir todos ao sucesso é um dos muitos desafios que se coloca ao professor.

Neste caminho de sucesso, e na busca pela melhoria das escolas,  as diferentes lideranças têm um papel primordial. É necessário desenvolver lideranças estratégicas!  As escolas precisam de líderes que tenham os olhos postos no futuro, de líderes que se envolvam e sejam capazes de envolver os outros, de líderes capazes de desenvolver e fomentar uma missão e visão partilhadas e assumidas por todos.

Maria Rosário Carrilho

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