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A escola é bipolar em questões de avaliação.

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Na escola temos a avaliação os alunos, em que há uma grande pressão para não haver retenções, com a obrigação de haver uma pedagogia e mesmo avaliação diferenciada, isto é, se na avaliação formativa  se detetam dificuldades no aluno, para além de se tentar superá-las, a avaliação deve adequar-se ao seu nível de competências. Agora, com o ensino à distância, e com maior peso do segundo período, como a avaliação não pode ser tão rigorosa como a presencial, prevejo uma subida das médias dos alunos. Fomos informados que em caso de avaliações negativas os professores têm de justificar as situações elaborando um relatório em que explicitem as estratégias adotadas para superar as dificuldades, cabendo aos professores o ónus da prova de que foram competentes, sob pena de haver repetição do conselho de turma.

Do lado dos professores temos uma avaliação baseada em cotas, que limita os professores com notas máximas a 25% dos avaliados, ou seja, para esta parte da escola, mesmo que tenhas um trabalho exemplar corres o risco de não seres contemplado com pelo menos Muito Bom. Conheço um caso que depois de saber a classificação atribuída que só em termos quantitativos lhe fez justiça, mas que em termos qualitativos ficou com Bom por falta de cotas, com a perspetiva de ficar um a dois anos sem subir de escalão, sofreu uma depressão e afastou-se da escola por doença, com as consequências de os alunos terem ficado sem aulas até haver substituto, as suas atividades para o PAA ficaram interrompidas, etc.

Concluindo temos na escola, na avaliação dos alunos, uma orientação para valorizar ao máximo o que o aluno faz bem, por outro lado, na avaliação de professores, mesmo que sejas excelente ou muito bom, podes não ter cotas, ou seja, a restrição financeira pesa mais que a competência. A uns valoriza-se o máximo, a outros, penaliza-se um trabalho excelente. A uns deve-se dar motivação, a outros tira-se motivação!

4 COMMENTS

    • Na minha escola há um grupo de amigos que têm as melhores notas na ADD sem vermos evidências. Não é um processo transparente. Não sabemos a nota de cada um. Não há lista com as avaliações atribuídas aos professores. Este grupo de professores tem sempre a vida mais facilitada: as turmas que não dão problemas, um horário feito à medida,
      desenvolvem as atividades só para este grupo de alunos… são mesmo muito inteligentes os amigos da diretora.

  1. – não há pressão mas determinação: a escala de avaliação sumativa passou oficiosamente a ser de 3 a 5 e de 10 a 20. Oficiosamente, não há retenção nem nivel inferior a 3 ou 10. Não é oficial, porque os decisores sabem que no dia em que legalmente se implementar a não retenção e um nivel minimo, seria o descalabro porque muitos não iam à escola ou iam mas só para fazer o que lhes apetecesse. E o ser humano reage a dissuasões e não ‘a palmadinhas nas costas’…
    – não é 25% mas 20%: 5% para Excelente e 15% para Muito Bom. Se houver 20 docentes para progredir, 19 já sabem que não terão Excelente mesmo que tenham evidências disso. No total, só 4 poderão ter acesso a Excelente e Muito Bom.
    – a avaliação para docentes tem um único objetivo: o governo poupar no salário impedindo a progressão e mais tarde poupar no valor da pensão de reforma. Por isso é que está desenhada para ‘espezinhar’ e prejudicar, contrariamente à dos alunos, que é para agradar (e receber os respetivos votos nas eleições) mas mais tarde ‘tramar’ muitos estudantes pela sua falta de formação sólida…

  2. Concordo absolutamente com que Mário Silva referiu. E accrescento: os professores são constantemente desvalorizados e as retenções no escalão , para aqueles que merecem transitarl Levam a uma enorme injustiça, mas poupa uns quantos milhões de euros ao estado, culminando com a chegada da reforma, que para muitos será curta e miserabilista, mas que engordará os cofres do estado. Os professores têm formação superior, trabalham muito para além do seu horário de trabalho, sào agentes determinantes no estado , cultura e evolução de um país.
    Alguém disse que o estado de um país se mede pelo estado da saúde e da educação, entre outras coisas.
    Quanto aos alunos, sào duplamente injustiçacos. Aqueles que trabalham são desvalorizados, em relação aos que muito pouco fazem, as aprendizagens reais e o sucesso escolar, é relegado para o facilitismo e os alunos que passam sem atingir “os objectivos mínimos”, para além de não aprenderem o essencial, são enganados quanto ao valor real da suas competências,
    Como dizia um professor meu, na faculdade, há muitos e longos anos, estamos a criar “analfabetos “com elevado grau de instrução.” Sociedade justa??????Valores de integridade?Triste, muito triste e desmotivante para professores, alunos e pessoas que se querem tornar melhores, e crescer a todos os níveis!!!

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