Home Escola a escola de abril

a escola de abril

98
1

cravosHoje é daquelas datas que estão e são para sempre. Representa liberdade e ousadia. Representa algo tão volátil quanto o ar que respiramos e que torna difícil passar aos alunos, muitos deles nascidos já este século, sobre o que é e o que vale.

É daquelas datas que trazem a escola mais para a boca de cena do nosso quotidiano e promove conversas sobre liberdades e garantias, o que tivemos e o que, o que deve e o que devia, o que foi e o que poderá ser a relação entre a liberdade e a escola – ou o seu inverso.

Quase tudo já terá sido dito e escrito referente à relação que o 25 de abril tem com a escola, com o processo de democratização da sociedade, com a construção da cidadania, do pluralismo e da liberdade. Estou certo que neste dia muito mais será dito e escrito, na procura de expressar sentimentos, emoções, ideias. Contudo, não me cansarei de dizer que devo tudo o que sou à escola democrática e à liberdade que ela me concedeu para me afirmar e ser.

Passaram 42 anos e parece que foi toda uma vida. Para uns tudo mudou. Para os da minha geração, nascido na década de 60 do século passado, a escola foi mola social, espaço de liberdade, campo de afirmação e descoberta, palco de opiniões, baú de surpresas e espantos, rede social de afetos e memórias. Tudo por força da dimensão única que assumia no tempo.

Hoje, para outros, pelo tempo que passou, pela idade que têm, é campo de coisas óbvias, verdades redondinhas, afirmações seguras, descobertas certas, de afirmações perentórias. Fruto, essencialmente da concorrência que enfrenta.

Entre percursos e projetos, hoje, fazer acontecer abril na escola implica, no meu entendimento duas situações, algo distintas quanto complementares.

Ousar, arriscar, experimentar. A escola precisa de ser reinventada e re criada. Mas atenção, trata-se tão só de arriscar e experimentar novas modalidades de apoios, outras estratégias de ação, outros métodos de trabalho, outras formas de organizar o trabalho de todos (professores e alunos).

Enquanto segundo situação, torna-se essencial (re)definir o lugar da escola no contexto social. Recriando-lhe sentidos e propósitos, redefinindo-lhe objetivos e estratégias, repensando currículo e programas, re equacionando as suas relações com o contexto.

No meu entendimento o papel e o destino da escola passa – e muito – pelo cruzamento destas duas ideias, ousar e repensar.

Só assim poderemos enfrentar o insucesso, assente esmagadoramente no desinteresse, no alheamento, na indiferença que a escola e o trabalho escolar coloca à generalidade dos alunos. Mas também só assim, redefinindo o lugar e o espaço social da escola puderemos gerir as situações de indisciplina, orientar os comportamentos mais desviantes e procurar, outra vez, como se abril fosse hoje, formar pessoas e não apenas dar cumprimento a indicadores – são importantes, mas escassos perante aquela que deve ser a ação da escola.

Manuel Dinis P. Cabeça

25 de abril, 2016

1 COMMENT

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here