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A Escola Centra-se No Relacionamento Entre Pessoas

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Estes tempos de confinamento, imposto pela Convid, vêm mostrar que a escola tem uma dimensão que a tecnologia, só em parte, consegue mitigar: o relacionamento humano.

De facto, o que tenho mais saudades como professor são a interação com os alunos e com os outros professores. Tenho saudades das traquinices dos alunos e depois de interagir com eles para as resolver, ajudando-os a crescer, tenho saudades das aulas, mesmo com interrupções constantes. Tenho saudades das reuniões presenciais em que ao interagirmos com os colegas, nos tornamos humanos, mesmo que as critiquemos pela pavorosa burocracia.

Nem tudo está bem na escola portuguesa, nomeadamente a aplicação de um modelo de gestão empresarial que afasta a democracia mais pura, pois, como já escrevi, umas eleições limitadas não são motivo para se dizer que há democracia, quando ela passa a depender do comportamento do diretor e não de um sistema de balanço de poderes, complementado com um processo administrativo mais musculado que permite tornar a liberdade de expressão em contencioso administrativo, em nome da liderança única, quando se transforma em perseguição de quem pensa diferente.

A escola também tem sido madrasta para a classe docente, com a sua carreira ao sabor das necessidades orçamentais.

Mas agora que estou, por imposição, afastado da escola, faz-me falta, mesmo com todas as imperfeições que tenho vindo a denunciar.

Isto também vem demonstrar que a chamada «escola do século XXI» deve ser construída com cuidado, para se manter o lado sociológico da escola, que é interação entre pessoas. A tecnologia pode melhorar o ensino, mas não deve destruir as relações humanas. Contudo, no lado tecnológico a escola está quase obsoleta e com falta de equipamentos adequados, porque também sofreu uma travagem acentuada no investimento em meios tecnológicos desde a anterior crise. A tecnologia é importante na escola e pode melhorá-la, e o primeiro passo é investir na tecnologia ao seu dispor. Mas a tecnologia não é a panaceia para todos os problemas.

Rui Ferreira

2 COMMENTS

  1. “a escola tem uma dimensão que a tecnologia, só em parte, consegue mitigar: o relacionamento humano. ”
    Errado!…

    O correcto seria dizer: a escola tem uma dimensão que a tecnologia, não consegue, de modo algum, mitigar: o relacionamento humano.

  2. Reflexão: será, que no meio de tudo “isto”, já deixei de pensar só em mim e nos meus?
    Houve tanta solidariedade aquando dos fogos que assolaram o nosso país sem dó nem piedade. Era mais fácil: era com alguns, não tão perto de mim que me impedissem as viagens, as férias, o exibicionismo. Bastava doar umas roupas usadas, bens alimentares, dinheiro …
    Eis uma guerra em que só vemos uma das frentes de batalha, a da defesa, e ainda assim ao longe para alguns.
    Já alguém se interrogou sobre a necessidade de apoio psicológico generalizado, mais ainda a crianças e jovens, após a guerra? Não vivemos uma época pré-eleitoral, mas convinha refletir sobre isto.
    Como se pode falar em prolongar o ano letivo, adiar isto e aquilo na vida dos nossos estudantes? Por acaso esses estudantes estão de férias? Por acaso não estão a sentir os efeitos da guerra? Não são refugiados dentro das suas próprias casas, quando as têm com condições mínimas de conforto? Não terão entes queridos em sofrimento?
    Todos os trabalhadores merecem as suas férias e os verdadeiros ESTUDANTES, porque a sua profissão é ser ESTUDANTE, também as merecem. E não tenham ilusões, porque não se trata de viajar, dentro ou fora do país. Trata-se de aliviar o espírito de responsabilidades que lhes são impostas por decisões cuja razoabilidade ultrapassa o bom senso.
    Há quem não tome consciência de seja o que for que não seja o seu protagonismo, o que é inqualificável e insuportável!

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