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A escola adapta-se às circunstancias, pelos alunos, à custa do sacrifício dos professores.

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O covid domina as escolas pela ausência de professores, infetados ou em quarentena profilática e cada vez mais por motivos de receio dos efeitos desta pandemia na sua saúde para quem já tem outras doenças, uma vez que há estado de emergência e há cada vez mais alunos, professores e funcionários infetados, mas não há informação oficial e a escola não se adaptou às circunstâncias, por exemplo implementado o regime misto nos concelhos em emergência. Outro efeito são alunos ausentes, que complicam as aulas, pois os professores dão aulas a turmas com presenciais e não presenciais, e estes últimos interrompem muito mais, ou porque não compreendem, ou porque não conseguem ver o que está escrito no quadro, pelo que um aluno presente tira uma foto ao quadro que depois enviada aos colegas em casa. Se o improviso faz parte da função, um professor competente planeia o que fazer com uns e outros.

Neste contexto e aproximando-se o fim do 1º período começa-se a equacionar como se vai desenvolver a avaliação, tendo uns optado por um teste para presentes e ausentes pelo «classroom», para uniformizar, mas outros por avaliações diferenciadas conforme se o aluno está presente ou à distância, o que cabe perfeitamente na pedagogia diferenciada, uma das medidas universais. Com alunos em situações diferentes aumenta o trabalho dos professores, alguns fazendo noitadas para coordenar procedimentos para anos ou ciclo e adaptá-los às situações em que se encontram os alunos.

Mas, existe mais vida nas escolas a equacionar, umas ainda relacionadas com o covid, nomeadamente se fazer greve para que a escola não seja uma exceção na sociedade e as medidas sejam para todos, bem como qual a duração desta greve – o inquérito desenvolvido pelo STOP -, outras nem por isso, nomeadamente discutir-se o sucesso da greve docente, neste caso uma greve pelo cumprimento das 35 horas semanais que são ultrapassadas quando se abusa das reuniões de professores e se ignora a sobrecarga de trabalho que estes já têm com os efeitos da pandemia. Já agora, mais um absurdo, ainda há diretores que continuam a promover reuniões presenciais em pleno estado de emergência!

Concluindo, a escola está viva e a adaptar-se às circunstâncias, sempre com os alunos em primeiro lugar, mas à custa do sobre-trabalho dos professores, abandonados por uma tutela que nada diz dos sacrifícios, mas na hora de os recompensar ignora-os. Começa a haver indícios de revolta dos professores com greves no ar, pois a resistência de ir resolvendo os problemas individualmente, com atestados e declarações médicas, sempre esteve presente. Talvez seja a altura de responder coletivamente.

Rui Ferreira

4 COMMENTS

  1. para quem está em casa so envio materiais
    mais nada

    o governo por lei impede o teletrabalho

    vcs queixam-se mas depois estão sempre a baixar as calças

  2. Colega Alice não está em causa tele-trabalho, mas ter de dar aulas a presentes e não presentes. Pessoalmente coloco os alunos em 1º lugar, mas se há abusos do sistema, reajo pessoalmente quando é possível ou, de preferência coletivamente.

  3. Colega Rui.
    O governo não planeou sistema de aulas sem ser a presencial.
    Teletrabalho está proibido para professores.
    Câmaras na sala filmando aulas presenciais está proibido em leis da comissão da proteção de dados.
    A mim pagam-me mal. Faço a minha obrigação. A mais ninguém me obriga.
    Há alunos em casa e outros na escola da mesma turma? Temos pena, é um cenário não planeado nem legislado pelo ME.
    Não tenho dúvidas.

    Se todos fizessem o mesmo talvez as coisas mudassem.
    Como sempre os profs baixam as calcinhas e depois queixam-se…

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